quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

ANÁLISE DESCRITIVA DA FIDEDIGNIDADE DOS PRESSUPOSTOS TEÓRICOS SOBRE OS BENEFÍCIOS DA GINÁSTICA LABORAL

Enéia Welter¹
Resumo

Atualmente nos deparamos com um mercado de trabalho intenso, exigente e estressante, que vem comprometendo a saúde do trabalhador pelas duras exigências de esforço e as longas horas de atividade laboral em posições estáticas e duradouras. Perante esta situação, as empresas estão implantando programas de ginástica laboral como uma iniciativa de amenizar as conseqüências de dor, LER e/ou DORT e principalmente, manter um quadro de funcionários ativos e bem dispostos, garantindo assim uma ótima produção na concorrência do mercado. O objetivo deste projeto de pesquisa é verificar nas bibliografias consultadas/estudas e publicadas por profissionais das áreas da Educação Física e da Saúde, qual é a fidedignidade do embasamento teórico sobre suas considerações quanto aos benefícios da Ginástica Laboral aplicada nas empresas. Esta pesquisa se caracteriza como descritiva, com delineamento documental, no qual serão analisadas quatro obras publicadas sobre a Ginástica Laboral, bem como, a fundamentação teórica utilizada pelos autores para a concretização das concepções proferidas nestas obras.
Palavras-chave: Ginástica Laboral, Saúde do trabalhador, pesquisa, dor, benefícios.

¹Acadêmica do Curso de Licenciatura em Educação Física da Unijuí -Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

Introdução

A grande competitividade do mercado capitalista mundial apresenta frequentemente inúmeras possibilidades tecnológicas ligadas ao desenvolvimento e a produção em grande escala. Sendo assim, torna-se necessário um quadro de funcionários que consiga adaptar-se rapidamente a esse processo e manusear essas tecnologias com precisão e eficácia. Para tanto, o que se evidencia do empregador é uma severa exigência de que seus funcionários sejam cada vez mais capacitados profissionalmente e dispostos a enfrentar tal competitividade, o que acaba gerando uma carga horária excessiva e estressante aos trabalhadores, comprometendo por isso a saúde e a qualidade de vida do funcionalismo.

Atualmente em nossa sociedade, o trabalho é condição exemplar para a garantia dos principais direitos humanos como saúde, habitação, educação, cultura, lazer, entre outros, direitos estes garantidos na Constituição, porém não validados na sociedade atual. Dessa forma, as pessoas submetem-se a uma maior carga horária de trabalho, a inúmeras horas extras, e até mesmo, enfrentam dois ou mais empregos em diferentes turnos, procurando aumentar a renda familiar garantindo assim a sobrevivência e a manutenção dos princípios básicos para a vida. Tudo isso causa um desgaste físico, psicológico e mental e terá conseqüências sérias com relação à saúde e qualidade de vida desses trabalhadores.

Considerando a gravidade dos problemas de saúde observados e oriundos da rotina extenuante de trabalho à que estes sujeitos são submetidos, deram-se origem a um número significativo de pesquisas científicas sobre os benefícios que os programas de Ginástica Laboral podem trazer para esse grande número de trabalhadores das empresas e/ou indústrias (LIMA, 2003). A prática regular de atividade física proporciona um bem-estar e modifica os níveis de concentração e humor das pessoas. Considerando os autores da área, pode-se evidenciar que o número de benefícios é considerável do ponto de vista da melhoria da qualidade de vida das pessoas submetidas a programas de Ginástica Laboral nas empresas. Para ilustrar e reforçar essas concepções são descritos por (MENDES; LEITE, 2004. p. 14) alguns benefícios da Ginástica Laboral em empresas:

Melhorar a postura e os movimentos executados durante o trabalho, aumentar a resistência à fadiga central e periférica, promover o bem-estar geral, melhorar a qualidade de vida, combater o sedentarismo e diminuir o estresse ocupacional. Para as empresas, os principais objetivos são: diminuir os acidentes de trabalho, reduzir o absenteísmo e a rotatividade, aumentar a produtividade, melhorar a qualidade total, prevenir e reabilitar as doenças ocupacionais como tendinites e distúrbios osteomusculares relacionadas com o trabalho (DORT).



Aprofundando nossa pesquisa, verificamos que os resultados obtidos e publicados nas obras analisadas, estão fundamentados no fato de que estes benefícios estão baseados em pesquisas realizadas após a implantação de um programa de ginástica laboral (muitas vezes de curto prazo), dos quais, os dados se referem apenas aos resultados após a implantação dos programas, desconsiderando qual era a relação dos funcionários com atividade física antes da implantação destes programas, ou seja, os resultados em suma, estão baseados em testes e relatos (depoimentos) dos trabalhadores que participaram destes programas. Outro fator relevante destes resultados encontrados nas obras analisadas é que os autores não se importam em verificar se todos os benefícios propostos são atingidos. Portanto, espera-se que através dessa pesquisa descritiva, de cunho documental, seja possível visualizar com mais clareza e fundamentação científica, a origem e a fidedignidade de tais benefícios citados por autores brasileiros em suas obras, benefícios estes, atingidos com a implantação de um programa de ginástica laboral em empresas.

Problema

Qual a confiabilidade dos pressupostos teóricos utilizados pelos autores pesquisados para afirmar que a GL proporciona benefícios significativos aos envolvidos neste processo? Quais são as bases cientificas dos benefícios atribuídos à ginástica laboral nas bibliografias brasileiras específicas?

Objetivos
Objetivo Geral

Investigar a confiabilidade dos pressupostos teóricos apresentados/defendidos por autores brasileiros sobre os benefícios da ginástica laboral em programas aplicados em empresas, e ainda aprofundar teoricamente de que forma tais pressupostos foram concretizados por tais autores.
Objetivos Específicos

- Conhecer os benefícios propostos de cada obra pesquisada.

- Identificar os tipos de pesquisa realizados pelos autores em relação aos benefícios.

- Identificar se os autores se baseiam em outros autores para trazer os resultados dos benefícios propostos pela ginástica laboral.

- Investigar as referências utilizadas pelos autores para verificar/analisar as afirmações de que a ginástica laboral produz benefícios significativos para o aumento da qualidade de vida de trabalhadores.
Justificativa

Muitas são as iniciativas de aprofundamento teórico sobre as intervenções e pesquisas didático-metodológicas realizadas nas mais distintas áreas de intervenção da Educação Física. A Ginástica Laboral está sendo cada vez mais difundida e solicitada por empresas preocupadas com a qualidade e com a produção qualificada do serviço prestado pelo quadro de funcionários. Sendo assim, esta pesquisa vem contribuir como um instrumento de reflexão sobre os pressupostos teóricos defendidos por autores brasileiros sobre os benefícios que a ginástica laboral pode causar a nível de melhoria da qualidade de vida dos sujeitos submetidos a estes programas. Como acadêmica preocupada em compreender e sustentar as intervenções de minha atividade profissional estou propondo nesta pesquisa descritiva, de cunho documental, verificar se a sustentação teórica e os conhecimentos proferidos em quatro obras brasileiras sobre a Ginástica Laboral, são suficientes e possuem confiabilidade científica para afirmar que tal prática produz benefícios significativos para a qualidade de vida dos funcionários das empresas que vivenciam essas práticas.
Revisão Bibliográfica

Saúde, para ser conceituada, implica em desafio já amplamente reconhecido, dada a complexidade envolvida. A Organização Mundial da Saúde entende-a como perfeito equilíbrio biopsicosocial e não meramente a ausência de doenças. A constituição Brasileira reconhece-a como direito de cidadania e dever do Estado. “A proposta de promoção da saúde concebe-a como produção social e, dessa forma, engloba um espaço de atuação que extrapola o setor da saúde” (Brasil, 2001): partindo de uma concepção ampla, “propõe a articulação de saberes técnicos e populares e a mobilização de recursos institucionais e comunitários, públicos e privados” (Buss,2001). O Código de Saúde do Estado, que corresponde á lei orgânica da saúde no âmbito estadual, estabelece, em seu artigo 2º, que a saúde é uma das condições essenciais da liberdade individual e da igualdade de todos perante a lei (caput), integra direito inerente a pessoa humana, constituindo-se em direito publico subjetivo (§1º) e se expressa sob a forma de qualidade de vida (artigo 3º) (São Paulo, 1995).

Qualidade de vida: Pertence ao rol de expressões que, empregadas com impropriedade, acabam por assumir, muitos sentidos. Daí o fato de no respectivo conceito, reconhecer-se por primeiro seu caráter polissêmico. Tanto pode conotar valores humanitários relevantes referindo-se a aspirações sociais elevadas – mais frequentemente níveis coletivos de saúde e educação – como também, tem sido apropriada pela mídia e pela propaganda para promover produtos e serviços específicos que reclamam promoção – seja água mineral, loteamentos longínquos ou peças de roupa. Vem-se constituindo um consenso, no entanto, que independentemente dos usos numerosos, as concepções adequadas de qualidade de vida (Q. V.) encerram dois núcleos fundamentais, a dimensão subjetiva e objetiva, a primeira ao que se convencionou chamar de estilo de vida e a segunda às condições de vida (Gonçalves; Vilarta, 2002). Na compreensão de Carvalho (1996), constituem “ferramentas para a Q. V.”, por um lado o componente pluralista da vontade e da autonomia do individuo, e, por outro, os princípios da saúde em sociedade, presentes em situações e organizações como o Sistema Único de Saúde de nosso país. Deseja-se com isso, identificar a esfera da decisão individual, intransferível, de como se quer viver a vida: aí se encontram os hábitos pessoais, envolvendo situações tão amplas, desde as condutas sociais de tabagismo, alcoolismo, sedentarismo,formas de lazer e ocupação do tempo livre, até afiliações religiosas e espiritualidade. No âmbito da Educação Física pratica-se com freqüência uma distorção grave, presente também em outras áreas, mas aqui bastante ponderável. Trata-se do que já foi identificado como “culpabilização da vitima”, isto é, radicalizar, intencionalmente ou não o conceito de estilo de vida no sentido de ignorar os seus determinantes socioeconômicos e culturais, de sorte a atribuir às pessoas isoladamente a responsabilidade por seus vícios e dependências. A limitação dessa postura se revela não somente a ética, mas a também a profissional, pois este contexto se torna completivo e frustrante, ao se encontrarem barreiras emocionais muito profundas e estruturadas para o estilo de vida. Diante do impasse referido, alguns autores e instituições vêm operando com sucesso uma “terceira via”, identificada como a redução de riscos.
Produção do conhecimento científico

Este tópico busca compreender como se dá a construção do conhecimento cientifico e o conhecimento originado pelo senso-comum. Nesta primeira parte do trabalho venho conceituar e diferenciar o conhecimento cientifico e conhecimento do senso-comum. Faz-se necessário a compreensão destes conhecimentos para formularmos o processo de construção de um determinado saber.

Segundo Lungarzo (1989) o conhecimento científico é organizado. O cientista tenta construir sistemas de conhecimento, embora seus anseios nem sempre possam ser coroados pelo sucesso. Enquanto o senso-comum é composto por um conjunto de conhecimentos “avulsos”, o cientista visa organizar seu conhecimento num conjunto onde os elementos estejam relacionados de maneira ordenada.

Neste sentido, esta produção conceitua e faz uma co-relação entre os conhecimentos cientifico e senso-comum.

Conhecimento Científico e Conhecimento do Senso-comum.
O conhecimento científico é critico. Ainda que sua origem seja a experiência, esse conhecimento não fica grudado a ela de modo incondicional. Enquanto o senso comum habitualmente cinge-se aos dados imediatos, ou, então, procura explicações nem sempre profundas, o conhecimento científico procura bases sólidas, justificações claras e exatas. Isso não é possível em todos os casos. A tendência do cientista, porém, é se aproximar gradativamente de fundamentos fortes para seus conhecimentos. (LUNGARZO, 1989, p.12).

Pode-se dizer que o conhecimento científico é reforçado por ações, métodos e testes que comprovam que tudo aquilo que tomamos como verdade é realmente real, como fala o autor acima citado, apesar de o conhecimento científico ser baseado em experiências não nos detemos a elas para a construção de um determinado saber, já no conhecimento de senso-comum, levamos em conta as experiências pessoais e as repetições ignorando qualquer tipo de dúvida ou provável questionamento.

O conhecimento científico é prognosticador. Baseado em certos “princípios” ou “leis”, o cientista pode predizer até mesmo com certeza de que maneira acontecerão certos fatos futuros. Também o homem da rua faz predições: podemos predizer que o verão será quente, que a inflação continuará aumentando que o sol sairá amanhã cedo, etc. Mas nossas predições são justificadas por analogias do senso comum. O cientista tem razões para afirmar que certos fatos haverão de ocorrer. O conhecimento científico é geral. É conhecimento de conjuntos ou classes de fatos e situações. E não apenas de determinados fatos isolados. (LUNGARZO, 1989, p. 14).
Ginástica laboral: sua origem e sua história

Segundo Cañete (1996), o primeiro registro sobre a atividade de ginástica laboral é na data de 1925, na Polônia, onde é chamada de ginástica de pausa e destinada a operários. Depois sabe-se que Veldkamp fez experiências na Holanda após 1925. Na Rússia, segundo Ryzhkova, 150 mil empresas envolvendo 5 milhões de operários praticam a ginástica de pausa adaptada a cada cargo e Sanoin propõe exercícios baseados na reação motora. Outros paises a realizarem experiências são: Bulgária e Alemanha Oriental.

A ginástica laboral teve origem no Japão, onde desde 1928, os funcionários dos correios começaram a freqüentar as sessões de ginástica diariamente, visando a descontração e o cultivo da saúde. Após a II Guerra Mundial, este hábito foi difundido em todo o país, e atualmente um terço dos trabalhadores japoneses exercita-se em suas empresas (Japão Ilustrado, 1993 e Pulcinelli, 1994).
Ginástica Laboral no Brasil

Conforme Kolling (1980), a questão das pausas no trabalho ainda tem recebido atenção insuficiente por parte dos profissionais de educação física e empresas em geral (in Pulcinelli, p. 36, 1994). Este autor explica que houve uma experiência pioneira em termos de Brasil realizada com base em uma proposta elaborada pela FEEVALE e sua Escola de Educação Física, em 1973.

Em 1978, a FEEVALE, juntamente com o SESI , elaborou e implantou um projeto denominado “Ginástica Laboral Compensatória”. Seu inicio teve inicio na data de 23 de novembro de 1978, envolvendo cinco empresas do vale do Sinos. O projeto tinha caráter experimental e visava aprofundar estudos nesta área, conforme informou a diretoria de uma das empresas que participaram desta experiência. (Cañete, 1996, p. 100).

Conceito de Ginástica Laboral ou GL

Para Lima (2005), a GL é a prática de exercícios físicos realizados coletivamente durante a jornada de trabalho, prescrito de acordo com a função exercida pelo trabalhador. Essa prática tem como finalidade prevenir doenças ocupacionais e promover o bem-estar individual por intermédio da consciência corporal: conhecendo, respeitando, amando e estimulando o próprio corpo.

De acordo com Cañete (1996), Ginástica Laboral é considerada uma adaptação da idéia do Rádio Taissô japonês, já que na prática é diferente, segundo o professor Marco Aurélio Scharcow. Rádio Taissô ou “Ládio Taissô”, como é chamada no Japão consiste em um tipo de ginástica rítmica que inclui séries de exercícios específicos acompanhados de músicas especialmente criadas para tal. Acontecem todas as manhãs, bem cedo, sendo transmitida pelo rádio por pessoas especialmente preparadas e é praticada por todos os japoneses atualmente, não somente nas fábricas ou ambientes de trabalho, mas também nas ruas e nas residências, pelas famílias. É um hábito incorporado à cultura japonês estando aliado à realização de palestras de curta duração sobre assuntos relativos ao trabalho, melhorias de saúde, circulação sangüínea e aumento da produtividade.
Para Mendes & Leite (2004), a GL é planejada e aplicada no ambiente de trabalho durante o expediente. Ela também é conhecida como atividade física na empresa, ginástica laboral compensatória, ginástica do trabalho ou ginástica de pausa. Essa ginástica busca criar um espaço, no qual os trabalhadores, por livre e espontânea vontade, exercem várias atividades e exercícios físicos. GL é uma ginástica total que trabalha o cérebro, a mente, o corpo e estimula o auto conhecimento, visto que amplia a consciência e a auto-estima e proporciona um melhor relacionamento com sigo mesmo, com os outros e com o meio, levando a uma verdadeira mudança interna e externa das pessoas.
Classificação da Ginástica Laboral (tempo e horário de execução, objetivo e tipo de exercício)
A ginástica laboral pode ser classificada quanto ao horário de execução e quanto ao objetivo que possui. A primeira classificação divide o expediente do trabalho em três momentos: o preparatório (no começo do expediente de trabalho), o compensatório (no meio do expediente) e o relaxante (no fim do expediente). A segunda classificação da GL diferencia os objetivos para a aplicação da ginástica em: ginástica laboral preparatória (prepara o trabalhador para as atividades de força, velocidade ou resistência), ginástica de compensação (previne a instalação de vícios posturais), ginástica corretiva (restabelece o equilíbrio muscular e articular) e ginástica de conservação ou mutação (mantém o equilíbrio fisiomorfológico). (MENDES & LEITE , 2004, p. 3).
Um método de distinção dos tipos de GL deve ser empregado para que seja elaborado um programa de exercícios, planejados de acordo com a atividade exercida e as necessidades apresentadas pela empresa. Ginástica de aquecimento ou preparatória (de 5 a 10 minutos, antes da jornada de trabalho, prepara o funcionário para sua tarefa, aquecendo os grupos musculares que serão solicitados), ginástica compensatória ou de pausa (10 minutos,durante o trabalho, interrompe a monotonia, as pausas para executar exercícios específicos de compensação para esforços repetitivos), ginástica de relaxamento ou final de expediente (10 minutos, baseada em exercícios de alongamento e relaxamento muscular, com o objetivo de oxigenar as estruturas musculares envolvidas). (LIMA, 2004, p.13).
Oliveira (2006) cita em sua obra rês tipos de ginástica utilizados pelas empresas: preparatória (realizada antes da jornada de trabalho, tem por objetivo preparar o individuo para o inicio do trabalho aquecendo os grupos musculares solicitados nas tarefas e despertando-os para que se sintam mais dispostos). (ALVES&VALE 1999); (OLIVEIRA, 2000); de pausa (praticada no meio do expediente de trabalho, tem como objetivo aliviar as tensões e fortalecer os músculos do trabalhador) de relaxamento (praticada após o expediente de trabalho, tem por objetivo proporcionar relaxamento muscular e mental aos trabalhadores). O tempo varia de oito a doze minutos por dia, cinco a seis vezes por semana, para cada setor.
Benefícios e/ou objetivos propostos pela ginástica laboral

Segundo Mendes & Leite (2004), os principais objetivos para os trabalhadores são: melhorar a postura e os movimentos executados durante o trabalho, aumentar a resistência à fadiga central e periférica, promover o bem-estar geral, melhorar a qualidade de vida, combater o sedentarismo e diminuir o estresse ocupacional. Para as empresas, os principais objetivos são: diminuir os acidentes de trabalho, reduzir o absenteísmo e a rotatividade, aumentar a produtividade, melhorar a qualidade total, prevenir e reabilitar as doenças ocupacionais como tendinites e distúrbios osteomusculares relacionadas com o trabalho (DORT).
Lima (2005) coloca que o objetivo da GL é promover adaptações fisiológicas, físicas e psíquicas, por meio de exercícios dirigidos e adequados para o ambiente de trabalho. Adaptações fisiológicas: estímulos para o aumento da temperatura corporal, tecidual e da circulação sanguínea durante o momento em que a região esta sendo exercitada. Adaptações físicas: melhoria da flexibilidade, mobilidade articular e postura. Adaptações psicológicas: preocupação da empresa com o individuo, mudança da rotina e integração dos funcionários entre colegas e com superiores. Com as três adaptações citadas acima podemos dizer que a GL: melhora a flexibilidade e a mobilidade articular, previne a fadiga muscular, minimiza os vícios posturais, promove a sociabilização, aumenta a disposição e o animo para o trabalho, promove o auto conhecimento do corpo e a coordenação motora, diminui o absenteísmo e a procura ambulatorial, melhora a produtividade individual e do grupo.

Cañete (1996) apresenta benefícios a partir de resultados de experiências com programas de ginástica laboral em sete empresas por ele pesquisadas, como: melhora do ambiente de trabalho, redução de 30% a 40% dos problemas lombares, redução de acidentes, redução de doenças ocupacionais, melhora do humor e auto-estima, amenização de problemas como: tendinite e bursite e redução média de 42% de dores e sintomas físicos.

Oliveira (2006) apresenta em sua bibliografia resultados obtidos com a prática de ginástica laboral, segundo outros autores, tais como: diminuição nos casos de LER/DORT, diminuição de 40% do volume de queixas de dores corporais, redução de 60% de reclamações de dores corporais, diminuição de 20% no número de acidentes de trabalho (Alves e Vale 1999); 80% dos funcionários deixaram de se queixar de dores corporais (Jornal Tribuna do Norte, 24 de set. 2000); aumento da produtividade em ate 30% (Oliveira 2000); aumento da produtividade em ate 39%.(Revista Isto É, 1992).

Metodologia ou procedimentos metodológicos

• 1º passo: seleção das obras a serem analisadas nesta pesquisa;

• 2º passo: análise quantitativa dos pressupostos teóricos defendidos pelos autores sobre os benefícios da Ginástica Laboral aplicada em programas nas empresas;

• 3º passo: aprofundamento e análise da confiabilidade e de fidedignidade das informações proferidas nas obras analisadas;

• 4º passo: discussão/reflexão sobre a origem e fundamentação teórica utilizada pelos autores para que os mesmos afirmem que a ginástica laboral produz benefícios significativos para a melhoria da qualidade de vida dos envolvidos neste processo.
Considerações Finais

 A prática da Ginástica Laboral em programas nas empresas segundo os autores pesquisados vem contribuindo para a qualidade de vida e para a qualidade da produção em grande escala objetivando vencer a concorrência do mercado.

 O programa de Ginástica Laboral aplicado aos diversos setores das empresas vem sendo cada vez mais solicitado para aumentar o nível de motivação e de concentração nas atividades laborativas;

 A análise da confiabilidade das informações contidas nas obras analisadas nesta pesquisa, com relação aos benefícios da Ginástica Laboral, está sendo realizada e refletida para que posteriormente seja produzido um estudo mais amplo e com base teórico-científica.

Referências Bibliográficas

CAÑETE, Ingrid. Humanização: Desafios da Empresa Moderna; a ginástica laboral como um caminho. Porto Alegre: Arte e Ofícios, 1996.200p.

LIMA, Valquiria de. Ginástica Laboral: atividade física no ambiente de trabalho. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2005. 240 p.

MENDES, Ricardo A; LEITE, Neiva. Ginástica Laboral: princípios e aplicações práticas. São Paulo: Manole, 2004. 207 p.

OLIVEIRA, João Ricardo Gabriel de. A prática da ginástica laboral. 3a ed. Rio de Janeiro: Sprint, 2006, 132 p.

LUNGARZO, Carlos. O que é ciência? 1ª ed. São Paulo: Brasiliense S. A., 1989, 86 p.

GONZÁLEZ, Fernando J; FENSTERSEIFER, Paulo E. Dicionário critico de Educação Fisica. Ijui: Unijui, 2005. 424 p.

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