quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Ginástica Laboral¹

Enéia Welter²


RESUMO

Este trabalho trata sobre a Ginástica Laboral e sobre a importância das empresas investirem numa forma de prevenção aos chamados esforços repetitivos, os quais ocasionam LER/DORT em seus colaboradores. Cada vez mais, verifica-se a importância de um trabalho de prevenção a esses problemas, posto que, é alto o índice de funcionários que possuem vida sedentária, sem falar no retorno que a empresa terá, tendo em vista uma melhor produtividade do colaborador.

PALAVRAS-CHAVE: Ginástica Laboral, LER/DOR, Saúde no Trabalho.

¹Trabalho desenvolvido na disciplina Seminário, orientado pelo Professor Fernando Jaime Gonzalez.
²Graduanda do curso Educação Física, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, RS.

1. GINÁSTICA LABORAL
1.1 HISTÓRIA
A Ginástica Laboral teve início na Polônia, no ano de 1925, foi chamada de Ginástica de Pausa e tinha por destino os operários. Na mesma época, outros países adotaram-na, dentre os quais, a Holanda, Bulgária e Alemanha Oriental. Na Rússia, um número de 150 mil empresas, totalizando 5 milhões de funcionários, praticavam e atualmente ainda praticam a Ginástica de Pausa, sendo que ela era adaptada a cada cargo (LIMA, 2003). Entretanto, foi no Japão que a Ginástica Laboral desenvolveu-se definitivamente. Implantada pela primeira vez, no ano de 1928, com os trabalhadores do Correio praticando-a diariamente, sendo ela tida como ginástica laboral preparatória, com o objetivo de descontrair e cultivar a saúde (LIMA, 2003).

Após a Segunda Guerra Mundial, o programa da Ginástica Laboral foi difundido por todo o Japão. Assim, um terço dos trabalhadores japoneses exercitavam-se diariamente, inclusive, obtiveram a diminuição dos acidentes de trabalho, o aumento da produtividade e a melhoria do bem-estar geral dos trabalhadores. Cabe destacar, que o grande desenvolvimento da Ginástica Laboral no Japão, deveu-se à adaptação de um programa da Rádio Taissô, que consistia em um tipo de ginástica rítmica, com exercícios específicos, acompanhados de música própria. Todas as manhãs essa atividade acontecia, inclusive, com transmissão pela rádio, através de pessoas especialmente preparadas para tal tarefa, e era praticada não somente nas fábricas ou em ambientes de trabalho, mas também nas ruas e residências. Esse programa é composto também, de palestras de curta duração sobre assuntos que se relacionam à saúde, ao trabalho, à circulação sangüínea e ao aumento da produtividade (POLITO e BERGAMASHI, 2002).

No Brasil, em 1969, a Ginástica Laboral chegou por meio de executivos nipônicos, através da Ishiksvajima Estaleiros, uma indústria de construção naval no Rio de Janeiro, onde ainda hoje, diretores e operários dedicam-se ao exercício, buscando, fundamentalmente, a prevenção de acidentes de trabalho, bem como humanizar o mundo administrativo (POLITO e BERGAMASHI, 2002). No ano de 1973, acontecera uma experiência pioneira no país, baseada numa proposta da Federação de Estabelecimentos de Ensino Superior em Novo Hamburgo – Rio Grande do Sul (FEEVALE), a qual consistia na elaboração de exercícios, baseada em análise biomecânica, para relaxar os músculos agônicos pela contração dos antagônicos, em face da exigência funcional unilateral. Esse projeto fora denominado de “Educação Física Compensatória e Recreação”, cujo fim era esclarecer as linhas gerais que deveriam nortear a criação de centros de Educação Física junto aos núcleos fabris (KOLLING apud POLITO e BERGAMASHI, 2002).
Cinco anos depois, em 1978, a Federação de Estabelecimentos de Ensino Superior em Novo Hamburgo – Rio Grande do Sul (FEEVALE) e a Associação Pró-ensino Superior em Novo Hamburgo (ASPEUR), juntamente com o SESI, implantaram um projeto em caráter experimental, o qual deram a denominação de “Ginástica Laboral Compensatória”, cujo início deu-se no dia 23 de novembro, fazendo parte do referido projeto, cinco empresas do Vale dos Sinos (SCHMITZ apud POLITO e BERGAMASHI, 2002).

O referido projeto tinha por finalidade combater uma doença que inicialmente era chamada de tenossinovite e popularmente chamada de “Doença dos Digitadores”. Essa foi a primeira patologia causada por esforços repetitivos no trabalho a ser reconhecida legalmente como doença profissional, em 1987, através da Portaria nº 4602 do Ministério da Previdência e Assistência Social (MONTEIRO apud POLITO e BERGAMASHI, 2002).

Esse período é tido como um marco na luta para o reconhecimento das demais doenças causadas pelo esforço repetitivo, hoje chamadas de L.E.R. (Lesão por Esforço Repetitivo) ou D.O.R.T. (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho). Por muito tempo, após a experiência no Vale dos Sinos, a Ginástica Laboral caíra no esquecimento e nos anos 80 começara a ser retomada, mas voltara realmente com força na década de 90, período em que passara a ser dado valor à qualidade de vida e no trabalho, com a condenação do estresse e das lesões causadas pro esforços repetitivos (POLITO e BERGAMASHI, 2002).

1.2 TIPOS DE GINÁSTICA LABORAL

Há a utilização de um método de distinção dos tipos de Ginástica Laboral, com o intuito de elaborar um programa de exercícios, de acordo com a atividade exercida, bem como, as necessidades apresentadas pela empresa (LIMA, 2003). Então, a Ginástica Laboral pode ser classificada quanto ao horário de execução e quanto ao objetivo de execução. Nesse sentido, a primeira classificação diz respeito à divisão do expediente de trabalho em três momentos, os quais são: Ginástica de Aquecimento ou Preparatória (também chamada de Pré-aplicada), Ginástica Compensatória ou de Pausa e a Ginástica Relaxante ou Final de Expediente (MENDES; LEITE, 2004).
Ginástica Laboral Preparatória (GLP) ou Ginástica de Aquecimento: trata-se de uma ginástica com duração média de 5 a 10 minutos e é aplicada no início do expediente do turno em que o empregado trabalha. Ela é ministrada no início de cada turno, quer seja o da manhã, o da tarde ou da noite; habitualmente “é realizada no posto de trabalho, após o funcionário ter realizado o rápido ritual de entrada, como passar o cartão, trocar de roupa, etc” (MENDES; LEITE, 2004, p. 4).

Essa ginástica dá uma maior disposição para o empregado iniciar suas atividades, pois, é tida essa “ginástica como aquecimento ou como acordamento. Afinal, quem nunca foi trabalhar com sono?” (LIMA, 2003, p. 14)
Ginástica Laboral Compensatória (GLC) ou Ginástica de Pausa: trata-se de uma ginástica com duração aproximada de 10 minutos e é efetuada durante a jornada de trabalho. Ela é de grande valia, uma vez que, além interromper a tarefa que está sendo aplicada, servem “as pausas para executar exercícios específicos de compensação para esforços repetitivos, estruturas sobrecarregadas e as posturas solicitadas nos postos de trabalho” (LIMA, 2003, p. 17).

Ginástica Laboral Relaxante (GLR) ou Final de Expediente: é realizada no final do expediente, por aproximadamente 10 minutos a 15 minutos e visa oxigenar as estruturas musculares envolvidas na tarefa diária. É importante porque os “trabalhadores necessitam relaxar, massagear todo o corpo e extravasar as tensões acumuladas nas regiões dorsal, cervical, lombar, plantar dos pés e nos ombros” (MENDES; LEITE, 2004, p. 9).

Ginástica Laboral Compensatória (GLC): “popularmente, e até no meio acadêmico, a GL é denominada de ginástica de pausa ou de ginástica laboral compensatória, independentemente do horário ou do seu objetivo” (MENDES;LEITE, 2004, p.6).

Ginástica Corretiva (GC): é destinada a um grupo reduzido de 10 a 12 pessoas, as quais devem apresentar a mesma característica postural ou álgica. É ministrada fora da sessão comum de ginástica laboral e pode ser executada durante ou fora do horário do expediente de trabalho. Busca restabelecer o equilíbrio muscular e articular, através de exercícios físicos específicos para o alongamento dos músculos que estão encurtados e também, para fortalecer os que estão enfraquecidos (MENDES; LEITE, 2004).

Ginástica Laboral de Manutenção (GLM) ou de Conservação: é caracterizada por um programa de condicionamento físico que busca prevenir e/ou reabilitar as doenças crônico-degenarativas, tais como, diabetes, cardiopatias, obesidade, sedentarismo, doenças respiratórias... Em suma, busca o equilíbrio fisiomorfológico do indivíduo, o que permite manter as funções fisiológicas em níveis adequados (MENDES; LEITE, 2004).

Pode ser realizada antes de iniciar o expediente de trabalho, durante o intervalo do almoço, após o expediente ou em outro intervalo equivalente fora do expediente, tendo em vista que, exige maior tempo total na execução. É ideal que as sessões durem de 30 a 60 minutos, no mínimo três vezes por semana (MENDES; LEITE, 2004).

1.3 EXPECTATIVAS COM A GINÁSTICA

Verifica-se uma tendência mundial da busca de melhor qualidade de vida para as pessoas. Desse modo, tendo em vista também a competitividade do mundo atual, há empresas implantando vários programas voltados para seus funcionários. Nesse sentido, MENDES e LEITE asseveram que “os programas de ginástica laboral ou ginástica na empresa apareceram em paralelo aos programas de qualidade de vida e promoção do lazer, que visam amenizar os efeitos deletérios que o mau uso da tecnologia pode acarretar” (MENDES; LEITE, 2004, p. 14). É válido ressaltar que “a atividade física na Empresa é um importante fator de prevenção no que diz respeito à saúde e bem-estar do ser humano” (POLITO; BERGAMASHI, 2002, p. 33).

Na verdade, o intuito das empresas de melhorar a qualidade de vida no trabalho (QVT) dos funcionários, ocasiona no aumento da produtividade desses, já que são eles que fazem com que a empresa tenha bons resultados ou não. Tudo porque, ao trabalhar bem disposto, essa qualidade reflete na vida da pessoa, posto que, “a satisfação no trabalho não pode estar isolada da vida do indivíduo como um todo. Assim, a QVT apresenta uma relação entre a qualidade de vida dentro e fora do trabalho” (MENDES; LEITE, 2004, p. 147).

Diante do exposto, verifica-se a importância que a educação física tem, bem como a sua grande responsabilidade. E dentre as diversas possibilidades de modalidades de movimentação corporal que existem, a Ginástica Laboral desempenha um papel extremamente relevante. (POLITO; BERGAMASHI, 2002).

2. LER e DORT

2.1 O QUE É LER

Devido à ampla modernização das indústrias, bem como o alto grau de informatização das empresas, no qual acontece a chamada “prioridade da máquina”, onde as condições de trabalho ao funcionário são deixadas em segundo plano, ocasiona no esforço repetitivo, o qual gera a LER. Conforme Portaria 4.062/1987, LER são as Lesões Por Esforços Repetitivos (VIEIRA, 2006).

2.2 ASPECTOS CAUSADORES DA LER

As lesões por esforços repetitivos foram registradas pela primeira vez, no ano de 1700, pelo médico RAMAZZINI, o qual estudou as lesões entre os escriturários. Posteriormente, em 1895, D’QUERVAIN apresentou a “entorse das lavadeiras”, que recebera a denominação de tenossinovite do polegar. A referida “entorse das lavadeiras” nada mais era do que o “Cotovelo de Tenistas“ de hoje (FONSECA apud POLITO; BERGAMASHI, 2002).

A seguir, na década de 60, houve um crescente índice de ocorrência da LER “entre trabalhadores de países industrializados, principalmente Japão, Estados Unidos da América, Suécia e Austrália (MELLO, 2006). No Brasil, mais precisamente até a década de 80, a LER tinha denominação de “doença dos digitadores”, tendo em vista ter sido diagnosticado neles os primeiros casos de tenossinovite. Entretanto, como esse mal foi constatado em outras variadas categorias profissionais, ela passou a ser analisada como problema de saúde pública. Mesmo porque, é preciso que fique claro, que estas lesões não ocorrem somente pelo uso do computador, mas em toda a atividade profissional que exija uso da força e repetido de grupos musculares associados a posturas inadequadas (MATOS apud POLITO; BERGAMASHI, 2002, p. 41).
Inclusive no Brasil, as L.E.R.s são consideradas como acidente de trabalho, pois de acordo com o § 2º, art. 132 do Decreto nº 2.172 de 05/06/97, ‘constatando-se que a doença resultou de condições especiais’ em que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente, a previdência social deve equipará-la a acidente de trabalho’. Neste contexto, a empresa ou órgão competente, ficam obrigados a emitir a CAT (comunicação de acidente de trabalho), quando da ocorrência do acidente de trabalho, no caso, as L.E.R.s, conforme art. 134 do Decreto nº 2.172 de 05/06/97 (DOU, 06/03/97) (www.ufrj.br/institutos/it/de/acidentes/ergo6.htm)
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É imprescindível que as pessoas tomem consciência da seriedade que é o problema da LER e que saibam que os casos estão cada vez mais freqüentes e isso é muito preocupante. Aliás, consoante o US Bureu of Labor Statistics, as L.E.R. são responsáveis por mais de 60% de todas as doenças relacionadas ao local onde se trabalha. Por isso, é imperativo prestar atenção a diversos sintomas que podem ocasionar a LER, dentre os quais, cita-se a tensão, desconforto, rigidez ou dor nas mãos (incluindo punho, dedos), antebraço ou cotovelos, falta de habilidade ou perda de força ou coordenação nas mãos, dor no pescoço ou ombros, (POLITO; BERGAMASHI, 2002).

2.3 O QUE É DORT

Por anos o termo LER foi utilizado, pois apresentavam um fator causal relacionado com a maior velocidade e também a repetição dos movimentos executados durante a jornada do trabalho (MENDES; LEITE, 2004). Todavia, após estudos e discussões dos profissionais ligados à saúde, chegou-se à conclusão que somente esse termo era insuficiente. Era assim considerado, tendo em vista que não deveria indicar apenas as formas clínicas, mas sim, tratar-se de um mecanismo de lesão único e abrangente (VIEIRA, 2006).

Então, o termo DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) passou a ser adotado a partir da década de 90, o qual possibilitou ampliar o conceito, não só especificamente aos movimentos repetitivos, mas também, circunscrevendo “formas clínicas peculiares a algumas atividades ocupacionais, e ainda propõe o estabelecimento do nexo causal (relacionados ao trabalho) classificando-o como doença ocupacional” (VIEIRA, 2006).

2.4 ASPECTOS CAUSADORES DA DORT

A DORT é a principal causa de doença no que diz respeito ao trabalho, posto que, contribui no Brasil com alto índice (mais de 63%) dos casos reconhecidos da Previdência Social (MENDES; LEITE, 2004). A DORT é causada por posturas errôneas e nesse sentido, Couto afirma que

LER/DORT são transtornos funcionais e mecânicos e lesões de músculos, tendões, fáscias (faixa de tecido fibroso que reveste os músculos e vários órgãos do corpo), nervos e/ou bolsas articulares nos membros superiores ocasionados pela utilização, biomecanicamente incorreta, dos membros superiores que resultam em dor, fadiga, queda da performance no trabalho, incapacidade temporária e, conforme o caso, podem evoluir para uma síndrome dolorosa crônica, nesta fase agravada por todos os fatores psíquicos (inerentes ao trabalho ou não) capazes de reduzir o limiar de sensibilidade dolorosa do indivíduo (COUTO apud LIMA, 2003, p. 97).

Então, constata-se que o que acarreta a DORT são posturas inadequadas, em especial as chamadas extremas, as quais exigem contrações musculares estáticas e levam a sobrecargas gerais e/ou àquelas específicas do sistema músculo-esquelético. Outro doença que existe é a lombalgia, a qual é também considerada como grave problema postural conseqüência de lesões musculares (POLITO; BERGAMASHI, 2002).
2.5. GINÁSTICA LABORAL, A LER E A DORT
Há quem acredite que gastar com ginástica laboral seja somente mais um aumento nos custos da empresa. Entretanto, deve ser visto como um investimento para a empresa, posto que, ao investir no funcionário, em melhores condições de trabalho para ele, ocasiona-lhe uma melhor qualidade de vida. O retorno é grande para a empresa, já que em épocas de globalização, onde os produtos são muito parecidos, o que acaba diferenciando competitivamente é o atendimento. E funcionário trabalhar motivado, o retorno à empresa é muito maior. Além do mais, “existem muitas correlações possíveis entre a satisfação no trabalho e em outras tarefas fora do trabalho, que contribuem para a qualidade de vida” (MENDES; LEITE, 2004, p. 147).
As empresas dispõem de diversos métodos para buscar evitar graves casos de LER/DORT no seu quadro funcional, quer seja mudança de natureza ergonômica e organizacional e/ou “educar” seus funcionários, ou melhor, conscientizá-los da importância da postura correta na prática de suas atividades, bem como de uma prática física, a fim de prevenir as lesões por esforços repetitivos (www.rhcentral.com.br).

Aliás, as empresas podem oferecer a eles um suporte maior, por exemplo, montando uma academia de ginástica na empresa, ou efetuar o pagamento desta àqueles ou ainda, contratar profissional especializado para ministrar aulas na própria empresa. Dentre essas opções, uma novidade que já é bastante utilizada nos grandes centros é a filosofia do Ioga, a qual literalmente significa “união, é a ciência do autoconhecimento, uma metodologia prática e natural para o equilíbrio psicossomático” (www.abusca.com.br) e “está cada vez mais presente no trabalho, a fim de combater o clima estressante do cotidiano” (http://www.rhcentral.com.br/).

3. SAÚDE DO TRABALHADOR

A saúde é uma condição que diz respeito a diversos aspectos do ser humano. A conceituação de saúde é ampla e não pode ser resumida como somente a ausência de doenças, não obstante ser essa associação que as pessoas fazem, ou seja, não ter doenças significa ter saúde. Essa forma de pensamento, “atrapalha também o conceito de saúde no trabalho, porque as pessoas só descobrem um ambiente físico, social e psicológico inadequado à medida que se manifestam alguns sinais ou sintomas de doenças” (MENDES; LEITE, 2004, p. 101).

A saúde dos trabalhadores deve ser analisada dentro dos aspectos ocupacionais físicos, químicos, biológicos, mecânicos, ergonômicos, psíquicos e sociais (MENDES; LEITE, 2004). Por isso, “os médicos do trabalho e os outros profissionais especialistas em saúde ocupacional precisam verificar, por meio de um trabalho preventivo, os fatores ambientais de risco na empresa para evitar as doenças ocupacionais” (MENDES; LEITE, 2004, p. 99)..
Então, a manutenção da saúde está fundamentada no estilo de vida que cada profissional assume, representado pelas suas atitudes, valores e oportunidades diárias. O comportamento individual no que diz respeito à melhora da qualidade nutricional e à diminuição do estresse psicológico e do sedentarismo representa um efeito positivo sobre a saúde (MENDES; LEITE, 2004).

3.1 FUNÇÃO DA GINÁSTICA LABORAL PARA O TRABALHADOR DE ACORDO COM A ATIVIDADE

As más condições ergonômicas, bem como a má postura diante dos postos de trabalho são pontos bastante críticos que resultam em lesões nos membros dos funcionários. Então, para que a ginástica laboral seja implantada na empresa e obtenha êxito, necessário que o profissional responsável por sua implantação faça uma análise das atividades desenvolvidas em cada setor. Também é relevante que converse com os funcionários da empresa, a fim de verificar as queixas mais freqüentes e as principais causas de afastamentos do serviço. A partir desses procedimentos de análise, deverá selecionar os exercícios e/ou atividades a serem aplicados naquela empresa. Isso irá colaborar para que os funcionários dessa possam desenvolver os potenciais produtivos (LIMA, 2005).

As tarefas desempenhadas pelos trabalhadores podem ser distinguidas como leves, moderadas e pesadas. Devido aos movimentos repetitivos e posturas estáticas, nas linhas de montagem predominam as tarefas musculares caracterizadas como moderadas. São essas atividades as que aparecem como as que mais resultam em problemas posturais, como tendinites e os distúrbios osteomusculares relacionados com o trabalho (MENDES; LEITE, 2004).

Desse modo, devido aos problemas supra referidos, a Ginástica Laboral é “uma alternativa para contrabalançar o ritmo de trabalho atual, visto que ao aumentar a sua produção para manter uma situação mais competitiva no mundo globalizado” (MENDES; LEITE, 2004, p. 14). Por isso, as empresas estão cada vez mais implantando atividades físicas e desportivas, assim como programas de qualidade de vida e de promoção de saúde, o que ajuda a neutralizar os efeitos negativos do trabalho e da utilização inadequada da tecnologia sobre o corpo humano, o que previne a progressão para doenças ocupacionais, como LER e DORT, que serão analisadas no capítulo seguinte (MENDES; LEITE, 2004)

O movimento humano é o que resulta de todos os sistemas corporais, nos quais incluem-se os ossos, músculos, articulações, inervação e sistemas energéticos. E, consoante palavras de Mendes e Leite, “o uso inadequado do corpo gera desequilíbrios e degeneração osteomuscular precoce” e dentre os fatores que aceleram esse desgaste são a inatividade física, sobrecarga discal e a postura corporal diária no que se refere às atividades de vida, tais como, dormir, sentar, levantar, carregar objetos, trabalhar, etc (MENDES; LEITE, 2004).

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através desta pesquisa ampliei meus conhecimentos sobre o assunto, e constatei que o tema é muito mais complexo do que imaginei na primeira etapa da disciplina.
Gostaria de buscar maiores respostas e resultados através da continuação desta pesquisa e das vivencias dessa pratica.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

Disponível em: Acesso em 17 set. 2006.
Disponível em: Acesso em 15 set. 2006. As empresas buscam o controle. Disponível em: Acesso em 17 set. 2006.
FURASTÉ, Pedro Augusto. Normas técnicas para o trabalho científico. 14.ed. Porto Alegre: [s.ed.], 2005.
GÖLLER, Dari Francisco. Atividade física na sala de aula como meio para melhorar a produtividade de trabalho mental e a aprendizagem dos alunos do 3º e 4º ciclos da escola de ensino fundamental. Ijuí: UNIJUÍ, 2003.
LEGAL, Carlos. LEGAL, Eduardo. Yoga no trabalho. Disponível em: Acesso em 17 set. 2006.
LIMA, Valquíria de. Ginástica laboral: atividade física no ambiente de trabalho. 2.ed. São Paulo: Phorte, 2003.
MELLO, Fábio. O alongamento muscular como agente preventivo da LER/DORT, em indivíduos submetidos ao stress ocupacional, envolvidos no contexto educacional. Disponível em: Acesso em 16 set. /2006.
MENDES, Ricardo. LEITE, Neiva. Ginástica laboral: princípios e aplicações práticas. Barueri, SP: Manole, 2004.
Movimentos Repetitivos. Disponível em: Acesso em 16 set. 2006.
POLITO, Eliane; BERGAMASHI, Cristina. Ginástica laboral: teoria e prática. Rio de Janeiro: Sprint, 2002.
VIEIRA, Vera Lucia Martinez. Prevenção das LER/DORT em pessoas que trabalham sentados e usuários de computador. Disponível em: Acesso em 16 set. 2006.

ANÁLISE DESCRITIVA DA FIDEDIGNIDADE DOS PRESSUPOSTOS TEÓRICOS SOBRE OS BENEFÍCIOS DA GINÁSTICA LABORAL

Enéia Welter¹
Resumo

Atualmente nos deparamos com um mercado de trabalho intenso, exigente e estressante, que vem comprometendo a saúde do trabalhador pelas duras exigências de esforço e as longas horas de atividade laboral em posições estáticas e duradouras. Perante esta situação, as empresas estão implantando programas de ginástica laboral como uma iniciativa de amenizar as conseqüências de dor, LER e/ou DORT e principalmente, manter um quadro de funcionários ativos e bem dispostos, garantindo assim uma ótima produção na concorrência do mercado. O objetivo deste projeto de pesquisa é verificar nas bibliografias consultadas/estudas e publicadas por profissionais das áreas da Educação Física e da Saúde, qual é a fidedignidade do embasamento teórico sobre suas considerações quanto aos benefícios da Ginástica Laboral aplicada nas empresas. Esta pesquisa se caracteriza como descritiva, com delineamento documental, no qual serão analisadas quatro obras publicadas sobre a Ginástica Laboral, bem como, a fundamentação teórica utilizada pelos autores para a concretização das concepções proferidas nestas obras.
Palavras-chave: Ginástica Laboral, Saúde do trabalhador, pesquisa, dor, benefícios.

¹Acadêmica do Curso de Licenciatura em Educação Física da Unijuí -Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

Introdução

A grande competitividade do mercado capitalista mundial apresenta frequentemente inúmeras possibilidades tecnológicas ligadas ao desenvolvimento e a produção em grande escala. Sendo assim, torna-se necessário um quadro de funcionários que consiga adaptar-se rapidamente a esse processo e manusear essas tecnologias com precisão e eficácia. Para tanto, o que se evidencia do empregador é uma severa exigência de que seus funcionários sejam cada vez mais capacitados profissionalmente e dispostos a enfrentar tal competitividade, o que acaba gerando uma carga horária excessiva e estressante aos trabalhadores, comprometendo por isso a saúde e a qualidade de vida do funcionalismo.

Atualmente em nossa sociedade, o trabalho é condição exemplar para a garantia dos principais direitos humanos como saúde, habitação, educação, cultura, lazer, entre outros, direitos estes garantidos na Constituição, porém não validados na sociedade atual. Dessa forma, as pessoas submetem-se a uma maior carga horária de trabalho, a inúmeras horas extras, e até mesmo, enfrentam dois ou mais empregos em diferentes turnos, procurando aumentar a renda familiar garantindo assim a sobrevivência e a manutenção dos princípios básicos para a vida. Tudo isso causa um desgaste físico, psicológico e mental e terá conseqüências sérias com relação à saúde e qualidade de vida desses trabalhadores.

Considerando a gravidade dos problemas de saúde observados e oriundos da rotina extenuante de trabalho à que estes sujeitos são submetidos, deram-se origem a um número significativo de pesquisas científicas sobre os benefícios que os programas de Ginástica Laboral podem trazer para esse grande número de trabalhadores das empresas e/ou indústrias (LIMA, 2003). A prática regular de atividade física proporciona um bem-estar e modifica os níveis de concentração e humor das pessoas. Considerando os autores da área, pode-se evidenciar que o número de benefícios é considerável do ponto de vista da melhoria da qualidade de vida das pessoas submetidas a programas de Ginástica Laboral nas empresas. Para ilustrar e reforçar essas concepções são descritos por (MENDES; LEITE, 2004. p. 14) alguns benefícios da Ginástica Laboral em empresas:

Melhorar a postura e os movimentos executados durante o trabalho, aumentar a resistência à fadiga central e periférica, promover o bem-estar geral, melhorar a qualidade de vida, combater o sedentarismo e diminuir o estresse ocupacional. Para as empresas, os principais objetivos são: diminuir os acidentes de trabalho, reduzir o absenteísmo e a rotatividade, aumentar a produtividade, melhorar a qualidade total, prevenir e reabilitar as doenças ocupacionais como tendinites e distúrbios osteomusculares relacionadas com o trabalho (DORT).



Aprofundando nossa pesquisa, verificamos que os resultados obtidos e publicados nas obras analisadas, estão fundamentados no fato de que estes benefícios estão baseados em pesquisas realizadas após a implantação de um programa de ginástica laboral (muitas vezes de curto prazo), dos quais, os dados se referem apenas aos resultados após a implantação dos programas, desconsiderando qual era a relação dos funcionários com atividade física antes da implantação destes programas, ou seja, os resultados em suma, estão baseados em testes e relatos (depoimentos) dos trabalhadores que participaram destes programas. Outro fator relevante destes resultados encontrados nas obras analisadas é que os autores não se importam em verificar se todos os benefícios propostos são atingidos. Portanto, espera-se que através dessa pesquisa descritiva, de cunho documental, seja possível visualizar com mais clareza e fundamentação científica, a origem e a fidedignidade de tais benefícios citados por autores brasileiros em suas obras, benefícios estes, atingidos com a implantação de um programa de ginástica laboral em empresas.

Problema

Qual a confiabilidade dos pressupostos teóricos utilizados pelos autores pesquisados para afirmar que a GL proporciona benefícios significativos aos envolvidos neste processo? Quais são as bases cientificas dos benefícios atribuídos à ginástica laboral nas bibliografias brasileiras específicas?

Objetivos
Objetivo Geral

Investigar a confiabilidade dos pressupostos teóricos apresentados/defendidos por autores brasileiros sobre os benefícios da ginástica laboral em programas aplicados em empresas, e ainda aprofundar teoricamente de que forma tais pressupostos foram concretizados por tais autores.
Objetivos Específicos

- Conhecer os benefícios propostos de cada obra pesquisada.

- Identificar os tipos de pesquisa realizados pelos autores em relação aos benefícios.

- Identificar se os autores se baseiam em outros autores para trazer os resultados dos benefícios propostos pela ginástica laboral.

- Investigar as referências utilizadas pelos autores para verificar/analisar as afirmações de que a ginástica laboral produz benefícios significativos para o aumento da qualidade de vida de trabalhadores.
Justificativa

Muitas são as iniciativas de aprofundamento teórico sobre as intervenções e pesquisas didático-metodológicas realizadas nas mais distintas áreas de intervenção da Educação Física. A Ginástica Laboral está sendo cada vez mais difundida e solicitada por empresas preocupadas com a qualidade e com a produção qualificada do serviço prestado pelo quadro de funcionários. Sendo assim, esta pesquisa vem contribuir como um instrumento de reflexão sobre os pressupostos teóricos defendidos por autores brasileiros sobre os benefícios que a ginástica laboral pode causar a nível de melhoria da qualidade de vida dos sujeitos submetidos a estes programas. Como acadêmica preocupada em compreender e sustentar as intervenções de minha atividade profissional estou propondo nesta pesquisa descritiva, de cunho documental, verificar se a sustentação teórica e os conhecimentos proferidos em quatro obras brasileiras sobre a Ginástica Laboral, são suficientes e possuem confiabilidade científica para afirmar que tal prática produz benefícios significativos para a qualidade de vida dos funcionários das empresas que vivenciam essas práticas.
Revisão Bibliográfica

Saúde, para ser conceituada, implica em desafio já amplamente reconhecido, dada a complexidade envolvida. A Organização Mundial da Saúde entende-a como perfeito equilíbrio biopsicosocial e não meramente a ausência de doenças. A constituição Brasileira reconhece-a como direito de cidadania e dever do Estado. “A proposta de promoção da saúde concebe-a como produção social e, dessa forma, engloba um espaço de atuação que extrapola o setor da saúde” (Brasil, 2001): partindo de uma concepção ampla, “propõe a articulação de saberes técnicos e populares e a mobilização de recursos institucionais e comunitários, públicos e privados” (Buss,2001). O Código de Saúde do Estado, que corresponde á lei orgânica da saúde no âmbito estadual, estabelece, em seu artigo 2º, que a saúde é uma das condições essenciais da liberdade individual e da igualdade de todos perante a lei (caput), integra direito inerente a pessoa humana, constituindo-se em direito publico subjetivo (§1º) e se expressa sob a forma de qualidade de vida (artigo 3º) (São Paulo, 1995).

Qualidade de vida: Pertence ao rol de expressões que, empregadas com impropriedade, acabam por assumir, muitos sentidos. Daí o fato de no respectivo conceito, reconhecer-se por primeiro seu caráter polissêmico. Tanto pode conotar valores humanitários relevantes referindo-se a aspirações sociais elevadas – mais frequentemente níveis coletivos de saúde e educação – como também, tem sido apropriada pela mídia e pela propaganda para promover produtos e serviços específicos que reclamam promoção – seja água mineral, loteamentos longínquos ou peças de roupa. Vem-se constituindo um consenso, no entanto, que independentemente dos usos numerosos, as concepções adequadas de qualidade de vida (Q. V.) encerram dois núcleos fundamentais, a dimensão subjetiva e objetiva, a primeira ao que se convencionou chamar de estilo de vida e a segunda às condições de vida (Gonçalves; Vilarta, 2002). Na compreensão de Carvalho (1996), constituem “ferramentas para a Q. V.”, por um lado o componente pluralista da vontade e da autonomia do individuo, e, por outro, os princípios da saúde em sociedade, presentes em situações e organizações como o Sistema Único de Saúde de nosso país. Deseja-se com isso, identificar a esfera da decisão individual, intransferível, de como se quer viver a vida: aí se encontram os hábitos pessoais, envolvendo situações tão amplas, desde as condutas sociais de tabagismo, alcoolismo, sedentarismo,formas de lazer e ocupação do tempo livre, até afiliações religiosas e espiritualidade. No âmbito da Educação Física pratica-se com freqüência uma distorção grave, presente também em outras áreas, mas aqui bastante ponderável. Trata-se do que já foi identificado como “culpabilização da vitima”, isto é, radicalizar, intencionalmente ou não o conceito de estilo de vida no sentido de ignorar os seus determinantes socioeconômicos e culturais, de sorte a atribuir às pessoas isoladamente a responsabilidade por seus vícios e dependências. A limitação dessa postura se revela não somente a ética, mas a também a profissional, pois este contexto se torna completivo e frustrante, ao se encontrarem barreiras emocionais muito profundas e estruturadas para o estilo de vida. Diante do impasse referido, alguns autores e instituições vêm operando com sucesso uma “terceira via”, identificada como a redução de riscos.
Produção do conhecimento científico

Este tópico busca compreender como se dá a construção do conhecimento cientifico e o conhecimento originado pelo senso-comum. Nesta primeira parte do trabalho venho conceituar e diferenciar o conhecimento cientifico e conhecimento do senso-comum. Faz-se necessário a compreensão destes conhecimentos para formularmos o processo de construção de um determinado saber.

Segundo Lungarzo (1989) o conhecimento científico é organizado. O cientista tenta construir sistemas de conhecimento, embora seus anseios nem sempre possam ser coroados pelo sucesso. Enquanto o senso-comum é composto por um conjunto de conhecimentos “avulsos”, o cientista visa organizar seu conhecimento num conjunto onde os elementos estejam relacionados de maneira ordenada.

Neste sentido, esta produção conceitua e faz uma co-relação entre os conhecimentos cientifico e senso-comum.

Conhecimento Científico e Conhecimento do Senso-comum.
O conhecimento científico é critico. Ainda que sua origem seja a experiência, esse conhecimento não fica grudado a ela de modo incondicional. Enquanto o senso comum habitualmente cinge-se aos dados imediatos, ou, então, procura explicações nem sempre profundas, o conhecimento científico procura bases sólidas, justificações claras e exatas. Isso não é possível em todos os casos. A tendência do cientista, porém, é se aproximar gradativamente de fundamentos fortes para seus conhecimentos. (LUNGARZO, 1989, p.12).

Pode-se dizer que o conhecimento científico é reforçado por ações, métodos e testes que comprovam que tudo aquilo que tomamos como verdade é realmente real, como fala o autor acima citado, apesar de o conhecimento científico ser baseado em experiências não nos detemos a elas para a construção de um determinado saber, já no conhecimento de senso-comum, levamos em conta as experiências pessoais e as repetições ignorando qualquer tipo de dúvida ou provável questionamento.

O conhecimento científico é prognosticador. Baseado em certos “princípios” ou “leis”, o cientista pode predizer até mesmo com certeza de que maneira acontecerão certos fatos futuros. Também o homem da rua faz predições: podemos predizer que o verão será quente, que a inflação continuará aumentando que o sol sairá amanhã cedo, etc. Mas nossas predições são justificadas por analogias do senso comum. O cientista tem razões para afirmar que certos fatos haverão de ocorrer. O conhecimento científico é geral. É conhecimento de conjuntos ou classes de fatos e situações. E não apenas de determinados fatos isolados. (LUNGARZO, 1989, p. 14).
Ginástica laboral: sua origem e sua história

Segundo Cañete (1996), o primeiro registro sobre a atividade de ginástica laboral é na data de 1925, na Polônia, onde é chamada de ginástica de pausa e destinada a operários. Depois sabe-se que Veldkamp fez experiências na Holanda após 1925. Na Rússia, segundo Ryzhkova, 150 mil empresas envolvendo 5 milhões de operários praticam a ginástica de pausa adaptada a cada cargo e Sanoin propõe exercícios baseados na reação motora. Outros paises a realizarem experiências são: Bulgária e Alemanha Oriental.

A ginástica laboral teve origem no Japão, onde desde 1928, os funcionários dos correios começaram a freqüentar as sessões de ginástica diariamente, visando a descontração e o cultivo da saúde. Após a II Guerra Mundial, este hábito foi difundido em todo o país, e atualmente um terço dos trabalhadores japoneses exercita-se em suas empresas (Japão Ilustrado, 1993 e Pulcinelli, 1994).
Ginástica Laboral no Brasil

Conforme Kolling (1980), a questão das pausas no trabalho ainda tem recebido atenção insuficiente por parte dos profissionais de educação física e empresas em geral (in Pulcinelli, p. 36, 1994). Este autor explica que houve uma experiência pioneira em termos de Brasil realizada com base em uma proposta elaborada pela FEEVALE e sua Escola de Educação Física, em 1973.

Em 1978, a FEEVALE, juntamente com o SESI , elaborou e implantou um projeto denominado “Ginástica Laboral Compensatória”. Seu inicio teve inicio na data de 23 de novembro de 1978, envolvendo cinco empresas do vale do Sinos. O projeto tinha caráter experimental e visava aprofundar estudos nesta área, conforme informou a diretoria de uma das empresas que participaram desta experiência. (Cañete, 1996, p. 100).

Conceito de Ginástica Laboral ou GL

Para Lima (2005), a GL é a prática de exercícios físicos realizados coletivamente durante a jornada de trabalho, prescrito de acordo com a função exercida pelo trabalhador. Essa prática tem como finalidade prevenir doenças ocupacionais e promover o bem-estar individual por intermédio da consciência corporal: conhecendo, respeitando, amando e estimulando o próprio corpo.

De acordo com Cañete (1996), Ginástica Laboral é considerada uma adaptação da idéia do Rádio Taissô japonês, já que na prática é diferente, segundo o professor Marco Aurélio Scharcow. Rádio Taissô ou “Ládio Taissô”, como é chamada no Japão consiste em um tipo de ginástica rítmica que inclui séries de exercícios específicos acompanhados de músicas especialmente criadas para tal. Acontecem todas as manhãs, bem cedo, sendo transmitida pelo rádio por pessoas especialmente preparadas e é praticada por todos os japoneses atualmente, não somente nas fábricas ou ambientes de trabalho, mas também nas ruas e nas residências, pelas famílias. É um hábito incorporado à cultura japonês estando aliado à realização de palestras de curta duração sobre assuntos relativos ao trabalho, melhorias de saúde, circulação sangüínea e aumento da produtividade.
Para Mendes & Leite (2004), a GL é planejada e aplicada no ambiente de trabalho durante o expediente. Ela também é conhecida como atividade física na empresa, ginástica laboral compensatória, ginástica do trabalho ou ginástica de pausa. Essa ginástica busca criar um espaço, no qual os trabalhadores, por livre e espontânea vontade, exercem várias atividades e exercícios físicos. GL é uma ginástica total que trabalha o cérebro, a mente, o corpo e estimula o auto conhecimento, visto que amplia a consciência e a auto-estima e proporciona um melhor relacionamento com sigo mesmo, com os outros e com o meio, levando a uma verdadeira mudança interna e externa das pessoas.
Classificação da Ginástica Laboral (tempo e horário de execução, objetivo e tipo de exercício)
A ginástica laboral pode ser classificada quanto ao horário de execução e quanto ao objetivo que possui. A primeira classificação divide o expediente do trabalho em três momentos: o preparatório (no começo do expediente de trabalho), o compensatório (no meio do expediente) e o relaxante (no fim do expediente). A segunda classificação da GL diferencia os objetivos para a aplicação da ginástica em: ginástica laboral preparatória (prepara o trabalhador para as atividades de força, velocidade ou resistência), ginástica de compensação (previne a instalação de vícios posturais), ginástica corretiva (restabelece o equilíbrio muscular e articular) e ginástica de conservação ou mutação (mantém o equilíbrio fisiomorfológico). (MENDES & LEITE , 2004, p. 3).
Um método de distinção dos tipos de GL deve ser empregado para que seja elaborado um programa de exercícios, planejados de acordo com a atividade exercida e as necessidades apresentadas pela empresa. Ginástica de aquecimento ou preparatória (de 5 a 10 minutos, antes da jornada de trabalho, prepara o funcionário para sua tarefa, aquecendo os grupos musculares que serão solicitados), ginástica compensatória ou de pausa (10 minutos,durante o trabalho, interrompe a monotonia, as pausas para executar exercícios específicos de compensação para esforços repetitivos), ginástica de relaxamento ou final de expediente (10 minutos, baseada em exercícios de alongamento e relaxamento muscular, com o objetivo de oxigenar as estruturas musculares envolvidas). (LIMA, 2004, p.13).
Oliveira (2006) cita em sua obra rês tipos de ginástica utilizados pelas empresas: preparatória (realizada antes da jornada de trabalho, tem por objetivo preparar o individuo para o inicio do trabalho aquecendo os grupos musculares solicitados nas tarefas e despertando-os para que se sintam mais dispostos). (ALVES&VALE 1999); (OLIVEIRA, 2000); de pausa (praticada no meio do expediente de trabalho, tem como objetivo aliviar as tensões e fortalecer os músculos do trabalhador) de relaxamento (praticada após o expediente de trabalho, tem por objetivo proporcionar relaxamento muscular e mental aos trabalhadores). O tempo varia de oito a doze minutos por dia, cinco a seis vezes por semana, para cada setor.
Benefícios e/ou objetivos propostos pela ginástica laboral

Segundo Mendes & Leite (2004), os principais objetivos para os trabalhadores são: melhorar a postura e os movimentos executados durante o trabalho, aumentar a resistência à fadiga central e periférica, promover o bem-estar geral, melhorar a qualidade de vida, combater o sedentarismo e diminuir o estresse ocupacional. Para as empresas, os principais objetivos são: diminuir os acidentes de trabalho, reduzir o absenteísmo e a rotatividade, aumentar a produtividade, melhorar a qualidade total, prevenir e reabilitar as doenças ocupacionais como tendinites e distúrbios osteomusculares relacionadas com o trabalho (DORT).
Lima (2005) coloca que o objetivo da GL é promover adaptações fisiológicas, físicas e psíquicas, por meio de exercícios dirigidos e adequados para o ambiente de trabalho. Adaptações fisiológicas: estímulos para o aumento da temperatura corporal, tecidual e da circulação sanguínea durante o momento em que a região esta sendo exercitada. Adaptações físicas: melhoria da flexibilidade, mobilidade articular e postura. Adaptações psicológicas: preocupação da empresa com o individuo, mudança da rotina e integração dos funcionários entre colegas e com superiores. Com as três adaptações citadas acima podemos dizer que a GL: melhora a flexibilidade e a mobilidade articular, previne a fadiga muscular, minimiza os vícios posturais, promove a sociabilização, aumenta a disposição e o animo para o trabalho, promove o auto conhecimento do corpo e a coordenação motora, diminui o absenteísmo e a procura ambulatorial, melhora a produtividade individual e do grupo.

Cañete (1996) apresenta benefícios a partir de resultados de experiências com programas de ginástica laboral em sete empresas por ele pesquisadas, como: melhora do ambiente de trabalho, redução de 30% a 40% dos problemas lombares, redução de acidentes, redução de doenças ocupacionais, melhora do humor e auto-estima, amenização de problemas como: tendinite e bursite e redução média de 42% de dores e sintomas físicos.

Oliveira (2006) apresenta em sua bibliografia resultados obtidos com a prática de ginástica laboral, segundo outros autores, tais como: diminuição nos casos de LER/DORT, diminuição de 40% do volume de queixas de dores corporais, redução de 60% de reclamações de dores corporais, diminuição de 20% no número de acidentes de trabalho (Alves e Vale 1999); 80% dos funcionários deixaram de se queixar de dores corporais (Jornal Tribuna do Norte, 24 de set. 2000); aumento da produtividade em ate 30% (Oliveira 2000); aumento da produtividade em ate 39%.(Revista Isto É, 1992).

Metodologia ou procedimentos metodológicos

• 1º passo: seleção das obras a serem analisadas nesta pesquisa;

• 2º passo: análise quantitativa dos pressupostos teóricos defendidos pelos autores sobre os benefícios da Ginástica Laboral aplicada em programas nas empresas;

• 3º passo: aprofundamento e análise da confiabilidade e de fidedignidade das informações proferidas nas obras analisadas;

• 4º passo: discussão/reflexão sobre a origem e fundamentação teórica utilizada pelos autores para que os mesmos afirmem que a ginástica laboral produz benefícios significativos para a melhoria da qualidade de vida dos envolvidos neste processo.
Considerações Finais

 A prática da Ginástica Laboral em programas nas empresas segundo os autores pesquisados vem contribuindo para a qualidade de vida e para a qualidade da produção em grande escala objetivando vencer a concorrência do mercado.

 O programa de Ginástica Laboral aplicado aos diversos setores das empresas vem sendo cada vez mais solicitado para aumentar o nível de motivação e de concentração nas atividades laborativas;

 A análise da confiabilidade das informações contidas nas obras analisadas nesta pesquisa, com relação aos benefícios da Ginástica Laboral, está sendo realizada e refletida para que posteriormente seja produzido um estudo mais amplo e com base teórico-científica.

Referências Bibliográficas

CAÑETE, Ingrid. Humanização: Desafios da Empresa Moderna; a ginástica laboral como um caminho. Porto Alegre: Arte e Ofícios, 1996.200p.

LIMA, Valquiria de. Ginástica Laboral: atividade física no ambiente de trabalho. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2005. 240 p.

MENDES, Ricardo A; LEITE, Neiva. Ginástica Laboral: princípios e aplicações práticas. São Paulo: Manole, 2004. 207 p.

OLIVEIRA, João Ricardo Gabriel de. A prática da ginástica laboral. 3a ed. Rio de Janeiro: Sprint, 2006, 132 p.

LUNGARZO, Carlos. O que é ciência? 1ª ed. São Paulo: Brasiliense S. A., 1989, 86 p.

GONZÁLEZ, Fernando J; FENSTERSEIFER, Paulo E. Dicionário critico de Educação Fisica. Ijui: Unijui, 2005. 424 p.

Currículo e Planejamento em EDF


Currículo e Planejamento em Educação Física¹

Enéia Welter²

RESUMO

Este trabalho relata a importância, de que forma é trabalhada e como é vista a Educação Física pela direção, corpo docente e discentes da Escola Estadual de Educação Básica José Adolfo Maister. Bem como, o funcionamento das aulas em termos de horário, material, empenho dos professores, dos alunos, disponibilidade e interesse pela disciplina. Através de entrevistas é exposto como os alunos vêem a Educação Física na educação Infantil, Educação Fundamental: séries iniciais e finais e Ensino Médio, e o que de certa forma acham importante para sua formação. Indagar qual o papel e o compromisso da Escola frente à Educação Física Escolar.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Física. Escola. Mudança.

¹Trabalho desenvolvido na disciplina Currículo e Planejamento em Educação Física, orientado pelo Professor Fernando Jaime Gonzalez.


²Graduada do curso Educação Física, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, RS.

1. A ESCOLA

1.1 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO

A Escola Estadual de Educação Básica José Adolfo Maister, situada na Avenida Dom Hermeto Pinheiro, 1590, telefone: 553355-1190, sob decreto de criação nº6508 de 13/05/1937, mantenedora a 32ª Coordenadoria de Educação, tem na Direção a Professora Lucia Maria Schneider, e mais três vice-diretoras e uma coordenadora pedagógica. Funciona em três turnos, pela manha: de 7ª série do Ensino Fundamental séries finais ao 3º ano do Ensino Médio, mais o 9º ano, estipulado como lúdico, à tarde: Pré – Escolar (Educação infantil), 1ª, 2ª, 3ª, 4ª séries (Educação Fundamental: séries iniciais) à 6º série (Ensino Fundamental séries finais), à noite: ensino médio e EJA, nas totalidades 3 à 9. A Escola tem aproximadamente 775 alunos, 43 professores, sendo que três desses atuam na área de Educação Física, ( Duas formadas a mais de três anos e um a um ano) na sua grande maioria já formados na graduação cursando especialização e 13 funcionários. A filosofia da escola é: Educar visando o crescimento global do ser humano. Tendo como objetivo geral, desenvolver o espírito comunitário, o zelo pelo patrimônio publico, hábitos de higiene e saúde, incentivar o convívio fraterno, o espírito de solidariedade social e aprimoramento cultural.
1.2 ESPAÇO FÍSICO DA ESCOLA

Está assim distribuído: treze salas de aula, uma biblioteca ampla, com bom acervo bibliográfico, uma área administrativa com secretaria, sala de direção, supervisão, orientação e sala dos professores, cozinha, refeitório, área coberta, quadra de esportes e laboratório. Conta também com um amplo ginásio de esportes próximo a escola. Sala de vídeo e informática, o qual nas horas vagas é aberto à comunidade, para pesquisa, funcionando com um Lang house, cujos fundos adquiridos a escola investe em materiais, como também os xérox tirados.

Cabe salientar que a escola não possui local adequado para atividades recreativas com todos os alunos, nem para quando for necessária a realização de reuniões e atividades com os pais.


1.2.1 ESPAÇO FISICO E MATERIAL PARA EDUCAÇÃO FÍSICA

As aulas de educação Física são realizadas no ginásio, a quadra situada dentro da escola esta desativada devido à má condição, nos dias de chuva torna-se complicado, pois o ginásio fica a dois quarteirões da escola, principalmente para os alunos das séries iniciais, as aulas acabam sendo ministradas dentro da sala de aula.

Quanto a material da para se dizer que a escola é rica, possui: muitas bolas oficiais de todos os esportes, cones, redes, cordas, colchonetes, step, colchões, tornozeleiras, entre outros. Sendo que o um tanto dos fundos angariados são para a compra de mais materiais.

 
1.3 ORGANIZAÇÃO DOS TEMPOS E ESPAÇOS

 
Na Educação Infantil, jardim B, de 05 a 06 anos, com carga horária semanal de 20 horas, com carga horária anual de 800 horas, com 04 horas de efetivo trabalho em sala de aula. Ensino Fundamental: séries iniciais, 20 horas semanais, com Ensino Globalizado, totalizando em 800 horas anuais, sendo que o Ensino Religioso é desenvolvido dentro da área de Ciências Humanas. Ensino Fundamental: séries finais, 09 componentes curriculares, com 25 horas semanais. Ensino Médio, 12 componentes curriculares, com carga horária semanal de 25 horas.

1.4 DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA

O Objetivo Geral da Educação Física na escola é de proporcionar o desenvolvimento corporal e cultural, respeitando as individualidades, promovendo a sociabilidade e o senso crítico. Através de atividades especificas de Educação Física visar à construção do saber corporal, cultural, intelectual, social e afetivo do individuo.

Dos objetivos específicos:

- Compreender os significados do movimento corporal humano, trabalhando em todas as suas possibilidades e significações, para o desenvolvimento da corporeidade;

- Vivenciar e estabelecer relações com os diferentes padrões corporais em suas dimensões ética e estética, ampliando assim a sua visão critica construindo valores, analisando os padrões divulgados pela mídia e evitando o consumismo exacerbado e o preconceito;

- Participar de atividades corporais, estabelecendo relações equilibradas e construtivas consigo e com os outros, reconhecendo e respeitando características físicas e de desempenho, sem discriminar por diferenças pessoais, físicas, sexuais ou sociais;

- Conhecer, valorizar, respeitar e desfrutar da pluralidade de manifestações de cultura corporal do Rio Grande do Sul e do mundo, percebendo-as como recurso valioso para a integração entre pessoas entre diferentes grupos sociais e étnicos;

- Reconhecer-se como elemento integrante do ambiente, adotando hábitos saudáveis de higiene, alimentação e atividades corporais, relacionando-os como significativos sobre a própria saúde e de recuperação, manutenção e melhoria da saúde coletiva;

- Solucionar problemas de ordem corporal em diferentes contextos, equilibrando, regulando e dosando o esforço em um nível compatível com suas possibilidades, considerando que o aperfeiçoamento e o desenvolvimento das competências corporais decorrem de perseverança e regularidade;

- Reconhecer condições de trabalho que comprometam os processos de crescimento e desenvolvimento, não as aceitando para si nem para os outros, reivindicando condições de vida digna;

- Conhecer, organizar e interferir no espaço de forma autônoma, bem como reivindicar locais adequados para promover atividades corporais de lazer, reconhecendo-as como uma necessidade básica do ser humano e um direito do cidadão.

Na Educação Infantil a Educação Física é de 03 períodos semanais, ministrados pela professora regente de classe, sendo estipulada no plano de curso como Expressão corporal, com os seguintes conteúdos: percepção dos movimentos dos grandes e pequenos músculos, jogos, brincadeiras, atividades com e sem elementos, rodas cantadas, recreação, relaxamento, dança com ritmos variados, freio inibitório, equilíbrio, lateralidade, respiração, deslocamento orientado e jogo de montar.

No Ensino fundamental: séries iniciais a Educação Física é ministrada em dois horários semanais, pelo professor regente de classe, não tendo nenhum acompanhamento ou orientação de um profissional habilitado na área de Educação Física. Conteúdos programáticos impostos no plano de curso de acordo com cada série:

Dos conteúdos programáticos:

1ª, 2ª e 3ª séries

Habilidades Motoras: esquema corporal, equilíbrio, lateralidade, freio inibitório, percepção visual, tátil e auditiva, contração, relaxação, orientação espaço temporal, corridas e saltos, coordenação motora ampla e fina, ritmo e força.

Jogos: recreativos, mímicos, de mesa, de salão, pré-desportivos, pequenos e grandes jogos, contestes.

Dança: movimentos naturais com ritmo, socialização rítmica, danças folclóricas, rodas cantadas, dança moderna e descoberta de sons. Locomoção, deslocamento, orientação, seqüência de movimentos.

4ª série

Jogos: pré-desportivos, recreativos, pequenos e grandes jogos, contestes, jogos de baixa e grande organização, jogos de salão e mesa e jogos sócio-afetivos.

Ginástica: com e sem aparelho (domínio e manejo do material), postural, habilidades motoras básicas e especificas circuitos escolares (ginástica de solo e ginastrada).

Dança: deslocamento no espaço físico com ritmo, danças da vida cotidiana, danças folclóricas, dança de salão.

Esportes: Jogos pré-desportivos (pequenos e grandes jogos).

5ª série

Jogos: recreativos, de salão, de mesa, desportivos, de socialização e afetivos.

Ginástica: artística, circuito escolar, postural, com e sem aparelhos.

Danças: folclóricas, de salão e da vida cotidiana.

Esportes:

Voleibol - Iniciação e fundamentos: saque, toque, manchete e cortada.

Sistema de jogo e regras básicas.

Futebol (de salão) – Iniciação aos fundamentos: passe, chute, drible, condução de bola, cabeceio, cobrança de lateral.

Sistema de jogo e regras básicas.

Handebol - Iniciação aos fundamentos: passe, drible e arremesso.

Sistema de jogo e regras básicas.

Basquete - Iniciação aos fundamentos: passe, drible e arremesso.

Sistema de jogo e regras básicas.

Atletismo – Corridas de velocidade, revezamento e fundo, salto em altura e distancia, arremesso de peso, regras básicas e lançamento de dardo e martelo.

6ª série

Ginástica: circuito escolar, com e sem aparelhos.

Jogos: recreativos, de salão, de mesa e desportivos.

Danças: ritmo, de salão e da vida cotidiana.

Esportes:

Voleibol - Fundamentos: saque, toque, manchete e cortada.

Sistema de ataque e defesa, regras básicas.

Futebol (de salão) – Fundamentos: passe, chute, drible, condução de bola, cabeceio, cobrança de lateral.

Handebol - Fundamentos: passe, drible e arremesso.

Regras básicas.

Basquete - Fundamentos: passe, drible e arremesso.

Sistema de jogo e regras básicas.

Atletismo – Corridas de velocidade, revezamento, salto em altura e distancia, arremesso de peso, regras básicas.

7ª série

Ginástica: circuito escolar, com e sem aparelhos, aeróbica (step).

Jogos: recreativos, de salão, de mesa e desportivos.

Danças: de salão e da vida cotidiana.

Esportes:

Sinalética e regras básicas.

Voleibol - Fundamentos: saque, toque, manchete e cortada.

Regras básicas.

Futebol (de salão) – Fundamentos: passe, chute, drible, condução de bola, cabeceio, cobrança de lateral.

Sistema de jogo e regras básicas.

Handebol - Fundamentos: passe, drible e arremesso.

Regras básicas.

Basquete - Fundamentos: passe, drible e arremesso.

Sistema de jogo e regras básicas.

Atletismo – Corridas de velocidade, revezamento, salto em altura e distancia, arremesso de peso, lançamento de dardo e pelota, regras básicas.

8ª série

Ginástica: circuito escolar, com e sem aparelhos, step.

Jogos: recreativos, de salão, de mesa e desportivos.

Danças: de salão e da vida cotidiana.

Esportes:

Sinalética e regras básicas

Voleibol - Fundamentos: saque, toque, manchete e cortada.

Sistema de ataque e defesa, regras básicas.

Futebol (de salão) – Fundamentos: passe, chute, drible, condução de bola, cabeceio, cobrança de lateral.

Handebol - Fundamentos: passe, drible e arremesso.

Regras básicas.

Basquete - Fundamentos: passe, drible e arremesso.

Sistema de jogo e regras básicas.

Atletismo – Corridas de velocidade, revezamento, salto em altura e distancia, arremesso de peso, regras básicas.

No que se refere ao Ensino Médio, temos como objetivos gerais:

- Respeito mutuo através de relacionamento entre colegas e professores, dentro dos desportos efetivando a dignidade e solidariedade em situação lúdicas e desportivas repudiando atitudes de violência,

- Aprimoramento das habilidades necessárias a fim de movimentar-se efetivamente por meio de exercícios, jogos e desportos.

Conteúdos programáticos;

1ª, 2ª e 3ª série

Desportos: voleibol fundamentos, (aprimoramento de habilidades do bloqueio, ataque, jogadas combinadas, sistemas de jogo).

- Regras de arbitragem.

- Futsal, fundamentos (aprimoramento das habilidades adquiridas, ataque, defesa, jogadas ensaiadas, fintas, sistema de jogo).

- Regras de arbitragem.

- Handebol fundamentos (aprimoramento das habilidades, técnico-táticas, estratégicas de jogo, fintas, arremessos, sistema de jogo).

- Regras de arbitragem.

Jogos Recreativos: tênis de mesa, bingo.

Ginástica: ginástica de solo (alongamento, flexibilidade, resistência, força muscular). Step (coreografias, criação, coordenação, memorização e ritmo). Ginástica localizada (trabalho de pequenos e grandes grupos musculares).

2. INVESTIGAÇÕES

As entrevistas foram realizadas com Direção, Supervisão, Professor da área de Educação Física e alunos de todos os níveis escolares.

Perguntas que foram ministradas:

Educação Infantil

Educação Fundamental: Séries Iniciais

Você acha que a Educação Física é importante?Por quê?

O que você mais gosta de fazer nas aulas de Educação Física?

O que mais você gostaria de fazer?

Educação Fundamental – Séries Finais

Como você vê as aulas de Educação Física que são ministradas na sua Escola?Por quê?

O que você espera aprender nas as aulas de Educação Física no próximo ano?

O que você acha que deve saber sobre a Educação Física quando concluir a 8ª série?

Ensino Médio

O que é Educação Física?

Quando concluir o Ensino Médio você espera saber o que e quanto saber sobre a Educação Física?

Direção, Supervisão e Professor

Para você qual a importância que a Educação Física tem na Escola?

O que você pensa sobre a Educação Física?

O que você acredita que ao final de cada nível escolar os alunos devem sair sabendo, ou tendo noção básica?

Das respostas obtidas:

Alunos da Educação Infantil e das séries iniciais, até a 3ª, responderam gostar da Educação Física, a acham importante porque brincam, alguns se referiram em momento de descanso para o corpo, dos itens citados referente ao que mais gostam destacam-se: pular corda, jogar caçador, rodas cantadas e brincadeiras. Já os alunos da 4ª série, se dividiram os meninos citaram futsal e algumas brincadeiras, as meninas, brincadeiras e jogos.

Das respostas dos alunos de 5ª a 8ª serie encontramos muitas divergências. A visão se torna mais ampla à medida que o nível escolar aumenta, e com isso a imposição a algumas atividades propostas tanto pelo plano como pelo professor.

Alguns alunos da 5ª série vêem a EDF como momentos de descontração, descanso das outras disciplinas, alguns acham que as aulas ministradas são boas, mas deveria ser mais livre, mais brincadeiras. Outros esperam aprender a jogar, tem desejo de ser reconhecido como grande atleta, ou poder jogar no time da escola e disputar jogos escolares, e a vêem de outra forma, como uma atividade que desperta o gosto para atividades fora da escola.

Alunos da 6ª e 7 ª série tem uma visão bastante critica, acham a Educação Física fundamental para o ser humano, desenvolvimentos do corpo e da mente, também acham que a mesma é importante quanto à matemática, e que os professores é que acabam deixando a desejar, conhecem o plano de estudos e colocam que muitas coisas não são trabalhadas, esperam conhecer e praticar todos os esportes, alguns citaram a importância de o professor estudar sobre o Pan2007. Acreditam ter de sair concluintes do Ensino Fundamental sabendo o básico sobre conceitos da Educação Física e conhecedores de todos os esportes.

Os educandos da 8ª série classificaram a EDF como peça fundamental para o bom desempenho motor e físico do ser humano, que segundo eles deve ser estimulado e trabalhado na escola. Foram bastante taxativos em relação às aulas ministradas em sua escola, afirmando que as mesmas deixam a desejar, inclusive devido à ausência de professor por licença médica, que é freqüente. Colocaram que o professor no inicio do ano letivo até as férias de julho é bastante dinâmico, trabalha e explica vários esportes, vivenciam aulas de step, (o que foi bastante frisado, devido ao gosto) e ginástica, ressaltaram que não é por vontade ou pedido de alguns, mas o futsal tem bastante prioridade. Quando foram indagados sobre o que deveriam saber ao concluir a 8ª série, foram claros e certeiros: temos que conhecer os esportes e suas regras básicas, ter gosto pela educação física para que no ensino médio possamos aprimorar os conhecimentos por ela e ter consciência do bem que causa a saúde.

As respostas dos alunos do Ensino Médio do turno da manhã foram o oposto das respostas dos alunos do turno da noite, sendo que cabe salientar que a diferença de idade não é considerável, nem a perspectiva e a vontade de concluir o ensino médio, a única diferença é que alguns do turno da noite trabalham. Quando foram indagados do que é EDF os alunos da manhã na sua grande maioria responderam que é uma disciplina importante como qualquer outra, esta deve dar condições para que o aluno conheça seu corpo, entenda os movimentos realizados por ele, proporcione estimulo em praticar outras atividades físicas, deve além de praticar, dominar, conhecer os esportes e suas regras, estudar noções básicas sobre: músculos e conceitos, e conhecer e vivenciar esportes de aventura. Também acham que deve ter avaliação, não só prática, mas também teórica.

Os alunos do noturno colocaram ser a EDF um momento importante para eles não dispõem de tempo para prática de alguma atividade física. Lamentaram ser somente um período semanal, salientaram que o que é mais interessante é o jogo em si, algumas meninas colocaram a necessidade de serem estudadas outras coisas (conhecimento do corpo: limites e possibilidades), mas não reclamaram das aulas que são ministradas.

Quanto à segunda pergunta, sobre o que deveriam saber e o quanto, quando concluírem o Ensino Médio, o turno da manhã, veio a surpreender: muitos responderam que deveriam conhecer todos os esportes, ter vivenciado cada um deles, conhecer os principais músculos do corpo para que a partir daí tenham interesse e consciência da importância de praticar atividades físicas e até mesmo cursar graduação em EDF, salientaram que é na escola que se estimula o aluno a escolha de sua profissão. Os do noturno acreditam que devam sair sabendo jogar todos os esportes e conhecer as regras dos mesmos.

É surpreendente a importância e a visão que a EDF tem para a Direção Escolar. São três professores da área, porém encontra problemas na falta por licença médica de um dos professores, o que acaba com que algumas turmas fiquem sem EDF, ela esclareceu que não gosta que outro professor dê as aulas, cada um entende de sua área, e a EDF não é um simples componente que completa a grade curricular. Acredita ser esta uma disciplina de grande importância e valia, em todos os níveis escolares, pois desperta a coordenação motora, o conhecimento do corpo, a consciência da importância da atividade física para a saúde.

A supervisão da escola foi bastante clara e curta no que se refere a importância da EDF, é uma disciplina como outra qualquer, com seus valores e princípios, que deve ser ministrada por profissional habilitado, cuja qual é norteadora para o bom desenvolvimento motor do educando.

Os profissionais da área de EDF que atuam na escola, todos formados, têm visões diferentes, dois deles classificam que a EDF tem uma importância fundamental quando trabalhada em conjunto com as demais disciplinas, deve-se trabalhar na interdisciplinareidade, citaram como exemplo o Pan2007. Ela deve ter o propósito de sanar alguns dos distúrbios de aprendizagem principalmente nas séries iniciais. Quando os indaguei sobre o que os alunos devem sair sabendo ao concluir o cada nível, não foram claros, ou não me responderam. Já o outro professor colocou que a EDF na escola é importante, e que o profissional não deve se tornar relapso, deve seguir o plano, ser um transmissor de conhecimento, ampliar o conhecimento dos alunos, proporcionando a eles a amplitude da EDF. Falta dedicação dos professores, e por isso às vezes não é reconhecido pelas outras áreas, acredita que esta situação somos nós mesmos, da área de EDF que geramos. È importante porque além de fazer o aluno pensar o faz usar o corpo para se movimentar, ou seja, é uma sincronia. Pensa que os alunos devem sair sabendo aquilo que o plano de curso propõe para cada nível, porém acha que o plano das séries iniciais deve ser melhorado, e que as aulas devem ser ministradas por profissionais da área.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir deste trabalho de pesquisa e investigação sobre a Educação Física na Escola Estadual de Educação Básica José Adolfo Maister pude perceber que a mesma tem suas diversidades entre o que pensam os profissionais da área, o que dificulta a posição dos educandos em relação os professores e a Educação Física, percebi que os mesmos trabalham de formas diferentes o que acaba acarretando em divergências entre turmas.

Também acredito que hoje os alunos estão vendo a EDF de outra forma devido o fato de como os profissionais estão atuam, ou deixando de serem relapsos e acomodados. A EDF, esta buscando seu espaço, os profissionais estão sendo indagados e com isso estão tendo que buscar formas de realizar um bom trabalho, embasamento teórico, conhecimento metodológico.

A direção contribui para que o que observei aconteça nesta escola, ou que a EDF seja vista e trabalhada de outra forma, o que é interessante ressaltar e avaliar é a formação dos profissionais em relação ao tempo, o professor que faz concluiu a graduação em um ano e é contratado realiza um trabalho diferenciado dos outros, conforme o que foi dito pelos alunos.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

PPP. Plano Político Pedagógico. Escola Estadual de Educação Básica José Adolfo Maister. Caibaté, 2001.

Plano de Estudos em Educação Física dos níveis escolares: Educação Infantil, Educação Fundamental: séries iniciais e finais e Ensino Médio. Caibaté, 2006.