Enéia Welter²
RESUMO
Este trabalho trata sobre a Ginástica Laboral e sobre a importância das empresas investirem numa forma de prevenção aos chamados esforços repetitivos, os quais ocasionam LER/DORT em seus colaboradores. Cada vez mais, verifica-se a importância de um trabalho de prevenção a esses problemas, posto que, é alto o índice de funcionários que possuem vida sedentária, sem falar no retorno que a empresa terá, tendo em vista uma melhor produtividade do colaborador.
PALAVRAS-CHAVE: Ginástica Laboral, LER/DOR, Saúde no Trabalho.
¹Trabalho desenvolvido na disciplina Seminário, orientado pelo Professor Fernando Jaime Gonzalez.
²Graduanda do curso Educação Física, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, RS.
1. GINÁSTICA LABORAL
1.1 HISTÓRIA
A Ginástica Laboral teve início na Polônia, no ano de 1925, foi chamada de Ginástica de Pausa e tinha por destino os operários. Na mesma época, outros países adotaram-na, dentre os quais, a Holanda, Bulgária e Alemanha Oriental. Na Rússia, um número de 150 mil empresas, totalizando 5 milhões de funcionários, praticavam e atualmente ainda praticam a Ginástica de Pausa, sendo que ela era adaptada a cada cargo (LIMA, 2003). Entretanto, foi no Japão que a Ginástica Laboral desenvolveu-se definitivamente. Implantada pela primeira vez, no ano de 1928, com os trabalhadores do Correio praticando-a diariamente, sendo ela tida como ginástica laboral preparatória, com o objetivo de descontrair e cultivar a saúde (LIMA, 2003).
Após a Segunda Guerra Mundial, o programa da Ginástica Laboral foi difundido por todo o Japão. Assim, um terço dos trabalhadores japoneses exercitavam-se diariamente, inclusive, obtiveram a diminuição dos acidentes de trabalho, o aumento da produtividade e a melhoria do bem-estar geral dos trabalhadores. Cabe destacar, que o grande desenvolvimento da Ginástica Laboral no Japão, deveu-se à adaptação de um programa da Rádio Taissô, que consistia em um tipo de ginástica rítmica, com exercícios específicos, acompanhados de música própria. Todas as manhãs essa atividade acontecia, inclusive, com transmissão pela rádio, através de pessoas especialmente preparadas para tal tarefa, e era praticada não somente nas fábricas ou em ambientes de trabalho, mas também nas ruas e residências. Esse programa é composto também, de palestras de curta duração sobre assuntos que se relacionam à saúde, ao trabalho, à circulação sangüínea e ao aumento da produtividade (POLITO e BERGAMASHI, 2002).
No Brasil, em 1969, a Ginástica Laboral chegou por meio de executivos nipônicos, através da Ishiksvajima Estaleiros, uma indústria de construção naval no Rio de Janeiro, onde ainda hoje, diretores e operários dedicam-se ao exercício, buscando, fundamentalmente, a prevenção de acidentes de trabalho, bem como humanizar o mundo administrativo (POLITO e BERGAMASHI, 2002). No ano de 1973, acontecera uma experiência pioneira no país, baseada numa proposta da Federação de Estabelecimentos de Ensino Superior em Novo Hamburgo – Rio Grande do Sul (FEEVALE), a qual consistia na elaboração de exercícios, baseada em análise biomecânica, para relaxar os músculos agônicos pela contração dos antagônicos, em face da exigência funcional unilateral. Esse projeto fora denominado de “Educação Física Compensatória e Recreação”, cujo fim era esclarecer as linhas gerais que deveriam nortear a criação de centros de Educação Física junto aos núcleos fabris (KOLLING apud POLITO e BERGAMASHI, 2002).
Cinco anos depois, em 1978, a Federação de Estabelecimentos de Ensino Superior em Novo Hamburgo – Rio Grande do Sul (FEEVALE) e a Associação Pró-ensino Superior em Novo Hamburgo (ASPEUR), juntamente com o SESI, implantaram um projeto em caráter experimental, o qual deram a denominação de “Ginástica Laboral Compensatória”, cujo início deu-se no dia 23 de novembro, fazendo parte do referido projeto, cinco empresas do Vale dos Sinos (SCHMITZ apud POLITO e BERGAMASHI, 2002).
O referido projeto tinha por finalidade combater uma doença que inicialmente era chamada de tenossinovite e popularmente chamada de “Doença dos Digitadores”. Essa foi a primeira patologia causada por esforços repetitivos no trabalho a ser reconhecida legalmente como doença profissional, em 1987, através da Portaria nº 4602 do Ministério da Previdência e Assistência Social (MONTEIRO apud POLITO e BERGAMASHI, 2002).
Esse período é tido como um marco na luta para o reconhecimento das demais doenças causadas pelo esforço repetitivo, hoje chamadas de L.E.R. (Lesão por Esforço Repetitivo) ou D.O.R.T. (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho). Por muito tempo, após a experiência no Vale dos Sinos, a Ginástica Laboral caíra no esquecimento e nos anos 80 começara a ser retomada, mas voltara realmente com força na década de 90, período em que passara a ser dado valor à qualidade de vida e no trabalho, com a condenação do estresse e das lesões causadas pro esforços repetitivos (POLITO e BERGAMASHI, 2002).
1.2 TIPOS DE GINÁSTICA LABORAL
Há a utilização de um método de distinção dos tipos de Ginástica Laboral, com o intuito de elaborar um programa de exercícios, de acordo com a atividade exercida, bem como, as necessidades apresentadas pela empresa (LIMA, 2003). Então, a Ginástica Laboral pode ser classificada quanto ao horário de execução e quanto ao objetivo de execução. Nesse sentido, a primeira classificação diz respeito à divisão do expediente de trabalho em três momentos, os quais são: Ginástica de Aquecimento ou Preparatória (também chamada de Pré-aplicada), Ginástica Compensatória ou de Pausa e a Ginástica Relaxante ou Final de Expediente (MENDES; LEITE, 2004).
Ginástica Laboral Preparatória (GLP) ou Ginástica de Aquecimento: trata-se de uma ginástica com duração média de 5 a 10 minutos e é aplicada no início do expediente do turno em que o empregado trabalha. Ela é ministrada no início de cada turno, quer seja o da manhã, o da tarde ou da noite; habitualmente “é realizada no posto de trabalho, após o funcionário ter realizado o rápido ritual de entrada, como passar o cartão, trocar de roupa, etc” (MENDES; LEITE, 2004, p. 4).
Essa ginástica dá uma maior disposição para o empregado iniciar suas atividades, pois, é tida essa “ginástica como aquecimento ou como acordamento. Afinal, quem nunca foi trabalhar com sono?” (LIMA, 2003, p. 14)
Ginástica Laboral Compensatória (GLC) ou Ginástica de Pausa: trata-se de uma ginástica com duração aproximada de 10 minutos e é efetuada durante a jornada de trabalho. Ela é de grande valia, uma vez que, além interromper a tarefa que está sendo aplicada, servem “as pausas para executar exercícios específicos de compensação para esforços repetitivos, estruturas sobrecarregadas e as posturas solicitadas nos postos de trabalho” (LIMA, 2003, p. 17).
Ginástica Laboral Relaxante (GLR) ou Final de Expediente: é realizada no final do expediente, por aproximadamente 10 minutos a 15 minutos e visa oxigenar as estruturas musculares envolvidas na tarefa diária. É importante porque os “trabalhadores necessitam relaxar, massagear todo o corpo e extravasar as tensões acumuladas nas regiões dorsal, cervical, lombar, plantar dos pés e nos ombros” (MENDES; LEITE, 2004, p. 9).
Ginástica Laboral Compensatória (GLC): “popularmente, e até no meio acadêmico, a GL é denominada de ginástica de pausa ou de ginástica laboral compensatória, independentemente do horário ou do seu objetivo” (MENDES;LEITE, 2004, p.6).
Ginástica Corretiva (GC): é destinada a um grupo reduzido de 10 a 12 pessoas, as quais devem apresentar a mesma característica postural ou álgica. É ministrada fora da sessão comum de ginástica laboral e pode ser executada durante ou fora do horário do expediente de trabalho. Busca restabelecer o equilíbrio muscular e articular, através de exercícios físicos específicos para o alongamento dos músculos que estão encurtados e também, para fortalecer os que estão enfraquecidos (MENDES; LEITE, 2004).
Ginástica Laboral de Manutenção (GLM) ou de Conservação: é caracterizada por um programa de condicionamento físico que busca prevenir e/ou reabilitar as doenças crônico-degenarativas, tais como, diabetes, cardiopatias, obesidade, sedentarismo, doenças respiratórias... Em suma, busca o equilíbrio fisiomorfológico do indivíduo, o que permite manter as funções fisiológicas em níveis adequados (MENDES; LEITE, 2004).
Pode ser realizada antes de iniciar o expediente de trabalho, durante o intervalo do almoço, após o expediente ou em outro intervalo equivalente fora do expediente, tendo em vista que, exige maior tempo total na execução. É ideal que as sessões durem de 30 a 60 minutos, no mínimo três vezes por semana (MENDES; LEITE, 2004).
1.3 EXPECTATIVAS COM A GINÁSTICA
Verifica-se uma tendência mundial da busca de melhor qualidade de vida para as pessoas. Desse modo, tendo em vista também a competitividade do mundo atual, há empresas implantando vários programas voltados para seus funcionários. Nesse sentido, MENDES e LEITE asseveram que “os programas de ginástica laboral ou ginástica na empresa apareceram em paralelo aos programas de qualidade de vida e promoção do lazer, que visam amenizar os efeitos deletérios que o mau uso da tecnologia pode acarretar” (MENDES; LEITE, 2004, p. 14). É válido ressaltar que “a atividade física na Empresa é um importante fator de prevenção no que diz respeito à saúde e bem-estar do ser humano” (POLITO; BERGAMASHI, 2002, p. 33).
Na verdade, o intuito das empresas de melhorar a qualidade de vida no trabalho (QVT) dos funcionários, ocasiona no aumento da produtividade desses, já que são eles que fazem com que a empresa tenha bons resultados ou não. Tudo porque, ao trabalhar bem disposto, essa qualidade reflete na vida da pessoa, posto que, “a satisfação no trabalho não pode estar isolada da vida do indivíduo como um todo. Assim, a QVT apresenta uma relação entre a qualidade de vida dentro e fora do trabalho” (MENDES; LEITE, 2004, p. 147).
Diante do exposto, verifica-se a importância que a educação física tem, bem como a sua grande responsabilidade. E dentre as diversas possibilidades de modalidades de movimentação corporal que existem, a Ginástica Laboral desempenha um papel extremamente relevante. (POLITO; BERGAMASHI, 2002).
2. LER e DORT
2.1 O QUE É LER
Devido à ampla modernização das indústrias, bem como o alto grau de informatização das empresas, no qual acontece a chamada “prioridade da máquina”, onde as condições de trabalho ao funcionário são deixadas em segundo plano, ocasiona no esforço repetitivo, o qual gera a LER. Conforme Portaria 4.062/1987, LER são as Lesões Por Esforços Repetitivos (VIEIRA, 2006).
2.2 ASPECTOS CAUSADORES DA LER
As lesões por esforços repetitivos foram registradas pela primeira vez, no ano de 1700, pelo médico RAMAZZINI, o qual estudou as lesões entre os escriturários. Posteriormente, em 1895, D’QUERVAIN apresentou a “entorse das lavadeiras”, que recebera a denominação de tenossinovite do polegar. A referida “entorse das lavadeiras” nada mais era do que o “Cotovelo de Tenistas“ de hoje (FONSECA apud POLITO; BERGAMASHI, 2002).
A seguir, na década de 60, houve um crescente índice de ocorrência da LER “entre trabalhadores de países industrializados, principalmente Japão, Estados Unidos da América, Suécia e Austrália (MELLO, 2006). No Brasil, mais precisamente até a década de 80, a LER tinha denominação de “doença dos digitadores”, tendo em vista ter sido diagnosticado neles os primeiros casos de tenossinovite. Entretanto, como esse mal foi constatado em outras variadas categorias profissionais, ela passou a ser analisada como problema de saúde pública. Mesmo porque, é preciso que fique claro, que estas lesões não ocorrem somente pelo uso do computador, mas em toda a atividade profissional que exija uso da força e repetido de grupos musculares associados a posturas inadequadas (MATOS apud POLITO; BERGAMASHI, 2002, p. 41).
Inclusive no Brasil, as L.E.R.s são consideradas como acidente de trabalho, pois de acordo com o § 2º, art. 132 do Decreto nº 2.172 de 05/06/97, ‘constatando-se que a doença resultou de condições especiais’ em que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente, a previdência social deve equipará-la a acidente de trabalho’. Neste contexto, a empresa ou órgão competente, ficam obrigados a emitir a CAT (comunicação de acidente de trabalho), quando da ocorrência do acidente de trabalho, no caso, as L.E.R.s, conforme art. 134 do Decreto nº 2.172 de 05/06/97 (DOU, 06/03/97) (www.ufrj.br/institutos/it/de/acidentes/ergo6.htm)
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É imprescindível que as pessoas tomem consciência da seriedade que é o problema da LER e que saibam que os casos estão cada vez mais freqüentes e isso é muito preocupante. Aliás, consoante o US Bureu of Labor Statistics, as L.E.R. são responsáveis por mais de 60% de todas as doenças relacionadas ao local onde se trabalha. Por isso, é imperativo prestar atenção a diversos sintomas que podem ocasionar a LER, dentre os quais, cita-se a tensão, desconforto, rigidez ou dor nas mãos (incluindo punho, dedos), antebraço ou cotovelos, falta de habilidade ou perda de força ou coordenação nas mãos, dor no pescoço ou ombros, (POLITO; BERGAMASHI, 2002).
2.3 O QUE É DORT
Por anos o termo LER foi utilizado, pois apresentavam um fator causal relacionado com a maior velocidade e também a repetição dos movimentos executados durante a jornada do trabalho (MENDES; LEITE, 2004). Todavia, após estudos e discussões dos profissionais ligados à saúde, chegou-se à conclusão que somente esse termo era insuficiente. Era assim considerado, tendo em vista que não deveria indicar apenas as formas clínicas, mas sim, tratar-se de um mecanismo de lesão único e abrangente (VIEIRA, 2006).
Então, o termo DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) passou a ser adotado a partir da década de 90, o qual possibilitou ampliar o conceito, não só especificamente aos movimentos repetitivos, mas também, circunscrevendo “formas clínicas peculiares a algumas atividades ocupacionais, e ainda propõe o estabelecimento do nexo causal (relacionados ao trabalho) classificando-o como doença ocupacional” (VIEIRA, 2006).
2.4 ASPECTOS CAUSADORES DA DORT
A DORT é a principal causa de doença no que diz respeito ao trabalho, posto que, contribui no Brasil com alto índice (mais de 63%) dos casos reconhecidos da Previdência Social (MENDES; LEITE, 2004). A DORT é causada por posturas errôneas e nesse sentido, Couto afirma que
LER/DORT são transtornos funcionais e mecânicos e lesões de músculos, tendões, fáscias (faixa de tecido fibroso que reveste os músculos e vários órgãos do corpo), nervos e/ou bolsas articulares nos membros superiores ocasionados pela utilização, biomecanicamente incorreta, dos membros superiores que resultam em dor, fadiga, queda da performance no trabalho, incapacidade temporária e, conforme o caso, podem evoluir para uma síndrome dolorosa crônica, nesta fase agravada por todos os fatores psíquicos (inerentes ao trabalho ou não) capazes de reduzir o limiar de sensibilidade dolorosa do indivíduo (COUTO apud LIMA, 2003, p. 97).
Então, constata-se que o que acarreta a DORT são posturas inadequadas, em especial as chamadas extremas, as quais exigem contrações musculares estáticas e levam a sobrecargas gerais e/ou àquelas específicas do sistema músculo-esquelético. Outro doença que existe é a lombalgia, a qual é também considerada como grave problema postural conseqüência de lesões musculares (POLITO; BERGAMASHI, 2002).
2.5. GINÁSTICA LABORAL, A LER E A DORT
Há quem acredite que gastar com ginástica laboral seja somente mais um aumento nos custos da empresa. Entretanto, deve ser visto como um investimento para a empresa, posto que, ao investir no funcionário, em melhores condições de trabalho para ele, ocasiona-lhe uma melhor qualidade de vida. O retorno é grande para a empresa, já que em épocas de globalização, onde os produtos são muito parecidos, o que acaba diferenciando competitivamente é o atendimento. E funcionário trabalhar motivado, o retorno à empresa é muito maior. Além do mais, “existem muitas correlações possíveis entre a satisfação no trabalho e em outras tarefas fora do trabalho, que contribuem para a qualidade de vida” (MENDES; LEITE, 2004, p. 147).
As empresas dispõem de diversos métodos para buscar evitar graves casos de LER/DORT no seu quadro funcional, quer seja mudança de natureza ergonômica e organizacional e/ou “educar” seus funcionários, ou melhor, conscientizá-los da importância da postura correta na prática de suas atividades, bem como de uma prática física, a fim de prevenir as lesões por esforços repetitivos (www.rhcentral.com.br).
Aliás, as empresas podem oferecer a eles um suporte maior, por exemplo, montando uma academia de ginástica na empresa, ou efetuar o pagamento desta àqueles ou ainda, contratar profissional especializado para ministrar aulas na própria empresa. Dentre essas opções, uma novidade que já é bastante utilizada nos grandes centros é a filosofia do Ioga, a qual literalmente significa “união, é a ciência do autoconhecimento, uma metodologia prática e natural para o equilíbrio psicossomático” (www.abusca.com.br) e “está cada vez mais presente no trabalho, a fim de combater o clima estressante do cotidiano” (http://www.rhcentral.com.br/).
3. SAÚDE DO TRABALHADOR
A saúde é uma condição que diz respeito a diversos aspectos do ser humano. A conceituação de saúde é ampla e não pode ser resumida como somente a ausência de doenças, não obstante ser essa associação que as pessoas fazem, ou seja, não ter doenças significa ter saúde. Essa forma de pensamento, “atrapalha também o conceito de saúde no trabalho, porque as pessoas só descobrem um ambiente físico, social e psicológico inadequado à medida que se manifestam alguns sinais ou sintomas de doenças” (MENDES; LEITE, 2004, p. 101).
A saúde dos trabalhadores deve ser analisada dentro dos aspectos ocupacionais físicos, químicos, biológicos, mecânicos, ergonômicos, psíquicos e sociais (MENDES; LEITE, 2004). Por isso, “os médicos do trabalho e os outros profissionais especialistas em saúde ocupacional precisam verificar, por meio de um trabalho preventivo, os fatores ambientais de risco na empresa para evitar as doenças ocupacionais” (MENDES; LEITE, 2004, p. 99)..
Então, a manutenção da saúde está fundamentada no estilo de vida que cada profissional assume, representado pelas suas atitudes, valores e oportunidades diárias. O comportamento individual no que diz respeito à melhora da qualidade nutricional e à diminuição do estresse psicológico e do sedentarismo representa um efeito positivo sobre a saúde (MENDES; LEITE, 2004).
3.1 FUNÇÃO DA GINÁSTICA LABORAL PARA O TRABALHADOR DE ACORDO COM A ATIVIDADE
As más condições ergonômicas, bem como a má postura diante dos postos de trabalho são pontos bastante críticos que resultam em lesões nos membros dos funcionários. Então, para que a ginástica laboral seja implantada na empresa e obtenha êxito, necessário que o profissional responsável por sua implantação faça uma análise das atividades desenvolvidas em cada setor. Também é relevante que converse com os funcionários da empresa, a fim de verificar as queixas mais freqüentes e as principais causas de afastamentos do serviço. A partir desses procedimentos de análise, deverá selecionar os exercícios e/ou atividades a serem aplicados naquela empresa. Isso irá colaborar para que os funcionários dessa possam desenvolver os potenciais produtivos (LIMA, 2005).
As tarefas desempenhadas pelos trabalhadores podem ser distinguidas como leves, moderadas e pesadas. Devido aos movimentos repetitivos e posturas estáticas, nas linhas de montagem predominam as tarefas musculares caracterizadas como moderadas. São essas atividades as que aparecem como as que mais resultam em problemas posturais, como tendinites e os distúrbios osteomusculares relacionados com o trabalho (MENDES; LEITE, 2004).
Desse modo, devido aos problemas supra referidos, a Ginástica Laboral é “uma alternativa para contrabalançar o ritmo de trabalho atual, visto que ao aumentar a sua produção para manter uma situação mais competitiva no mundo globalizado” (MENDES; LEITE, 2004, p. 14). Por isso, as empresas estão cada vez mais implantando atividades físicas e desportivas, assim como programas de qualidade de vida e de promoção de saúde, o que ajuda a neutralizar os efeitos negativos do trabalho e da utilização inadequada da tecnologia sobre o corpo humano, o que previne a progressão para doenças ocupacionais, como LER e DORT, que serão analisadas no capítulo seguinte (MENDES; LEITE, 2004)
O movimento humano é o que resulta de todos os sistemas corporais, nos quais incluem-se os ossos, músculos, articulações, inervação e sistemas energéticos. E, consoante palavras de Mendes e Leite, “o uso inadequado do corpo gera desequilíbrios e degeneração osteomuscular precoce” e dentre os fatores que aceleram esse desgaste são a inatividade física, sobrecarga discal e a postura corporal diária no que se refere às atividades de vida, tais como, dormir, sentar, levantar, carregar objetos, trabalhar, etc (MENDES; LEITE, 2004).
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através desta pesquisa ampliei meus conhecimentos sobre o assunto, e constatei que o tema é muito mais complexo do que imaginei na primeira etapa da disciplina.
Gostaria de buscar maiores respostas e resultados através da continuação desta pesquisa e das vivencias dessa pratica.
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
Disponível em: Acesso em 17 set. 2006.
Disponível em: Acesso em 15 set. 2006. As empresas buscam o controle. Disponível em: Acesso em 17 set. 2006.
FURASTÉ, Pedro Augusto. Normas técnicas para o trabalho científico. 14.ed. Porto Alegre: [s.ed.], 2005.
GÖLLER, Dari Francisco. Atividade física na sala de aula como meio para melhorar a produtividade de trabalho mental e a aprendizagem dos alunos do 3º e 4º ciclos da escola de ensino fundamental. Ijuí: UNIJUÍ, 2003.
LEGAL, Carlos. LEGAL, Eduardo. Yoga no trabalho. Disponível em: Acesso em 17 set. 2006.
LIMA, Valquíria de. Ginástica laboral: atividade física no ambiente de trabalho. 2.ed. São Paulo: Phorte, 2003.
MELLO, Fábio. O alongamento muscular como agente preventivo da LER/DORT, em indivíduos submetidos ao stress ocupacional, envolvidos no contexto educacional. Disponível em: Acesso em 16 set. /2006.
MENDES, Ricardo. LEITE, Neiva. Ginástica laboral: princípios e aplicações práticas. Barueri, SP: Manole, 2004.
Movimentos Repetitivos. Disponível em: Acesso em 16 set. 2006.
POLITO, Eliane; BERGAMASHI, Cristina. Ginástica laboral: teoria e prática. Rio de Janeiro: Sprint, 2002.
VIEIRA, Vera Lucia Martinez. Prevenção das LER/DORT em pessoas que trabalham sentados e usuários de computador. Disponível em: Acesso em 16 set. 2006.

